quarta-feira, 17 de abril de 2019

Literatura // Jane Eyre

Existem diversos clássicos da literatura que fazem parte de bucket lists de literatura e os quais ambicionamos um dia ler, para podermos formar a nossa própria opinião sobre os mesmos e afirmar que o fizemos. Esse é o caso dos clássicos românticos como o Orgulho e Preconceito – um dos meus livros favoritos de sempre, do qual já vos falei AQUI -, o Romeu e Julieta ou o Jane Eyre, livro que posso finalmente riscar da minha readlist.

Jane Eyre, um livro escrito por Charlotte Bronte, conta a história da personagem que dá nome ao livro na primeira pessoa desde o início da sua vida, em meados do século XVIII até à sua idade adulta.

Confesso que demorei algum tempo a ler este livro. Levei-o em todas as viagens que fiz durante o meu período de Erasmus mas não conseguia convencer-me a pegar nele e ler. Como seria de esperar, a escrita da autora é muito rebuscadamuito densa, excessivamente detalhada e extremamente pessoal  numa época que não nos é familiar. A forma como a sociedade era comandada na altura nada tem a ver com aquilo que hoje em dia vivemos e, por isso, é complicado acompanhar e apoiar as decisões tomadas pela personagem principal uma vez que não compreendemos a cem por cento as circunstâncias em que esta se encontrava – uma época em que o machismo, a escravidão, a sociedade hierarquizada e a serventia eram o prato do dia.


No entanto, Jane tem um carácter muito forte, pouco permissivo e bastante diferente das restantes mulheres da sua época, revelando uma nova perspetiva aos costumes de outrora e à forma como as personalidades mais vincadas eram demonizadas e causavam alarme de entre os demais. É uma personagem difícil de gostar e com a qual não se consegue criar uma conexão facilmente mas, no entanto, é também a personagem que mais sentido faz na narrativa em que se encontra. A sua personalidade perspicaz traz sempre um ponto de vista fresco e inesperado a qualquer situação em que se encontre, independentemente da gravidade do mesmo. Mantém-se fiel àquilo que acredita independentemente daquilo que o seu coração diz e é bastante pragmática - sabe o seu lugar e tende a ficar nele, mesmo que seja puxada para de lá sair.

É agradável acompanhar o crescimento da personagem desde os seus tempos de infância e compreender de que forma aquilo que ela passou influenciou a sua maneira de pensar e ver a vida. Apesar de não serem situações muito fora do comum – a morte dos pais aquando pequena, a ida para um colégio religioso e a serventia enquanto tutora na casa de uma família com posses -, fazem sentido na narrativa e conferem um toque realista à mesma.

Apesar de achar interessante o conceito e a forma como a personagem desenvolve ao longo da trama, não consigo recomendar este livro. Apesar de considerar louvável o facto da autora ser a primeira a escrever na primeira pessoa, algo que hoje em dia é recorrente em livros de ficção, especialmente nos young adult, achei a leitura muito maçadora e bastante previsível. Sim, reconheço que é admirável termos como personagem principal uma mulher simples, sem grandes elementos atrativos e o quão isto era arriscado na época em que a autora viveu e desenvolveu o seu trabalho. 

No entanto, a leitura não é dinâmica, os diálogos entre as personagens são de difícil compreensão, muito filosóficos e formais para aquilo que gosto e aprecio – mais uma vez, pela época em que a história é narrada. Acredito que o facto de não ter gostado da narrativa pode estar relacionado com a forma como o romance está escrito, que não vai de acordo com aquilo que mais gosto, e não pela história em si. Por isso, se gostam de livros históricos, narrados na primeira pessoa e com um pouco de romance, acho que este é um tiro certeiro para vocês. Para mim não o foi!

Já leram o Jane Eyre? Quais os clássicos que me recomendam?

3 comentários so far

  1. Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco... É um dos meus livros favoritos! Beijinhos*

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  2. Li-o no ano passado (demorei imenso tempo) e concordo na íntegra!
    Depois de o terminar, posso dizer que até gostei mas sinto que me tive de obrigar a ler... Também não recomendo :((

    Um beijinho,
    MESSY GAZING

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