terça-feira, 16 de outubro de 2018

A primeira vez que fui à Ópera

A minha bucket list para Erasmus está em constante crescimento à medida que surgem novas oportunidades, novas ideias e que o espírito aventureiro dentro de mim cresce sem fronteiras. Mas existe algo que esteve desde o primeiro momento na minha lista e que sabia que tinha que acontecer, desse por onde desse, e isso finalmente aconteceu. O título da publicação é bastante explícito - fui, pela primeira vez, assistir a uma ópera.

Se já tiveram curiosidade em ler a página sobre mim, sabem que eu sou uma eterna apaixonada pelas artes performativas, sendo elas de qualquer forma. Sendo a ópera uma arte tão caracteristicamente italiana, fazia todo sentido assistir à mesma na cidade que me acolherá durante 6 meses da minha vida. O problema que se avizinhava eram os bilhetes uma vez que, por ser um tipo de espetáculo com uma procura muito elevada, os preços disparam até quantias astronómicas. Como sabia disto, procurei por um teatro mais simples e por uma ópera menos conhecida e estava pronta para dar 50 euros pelos bilhetes quando recebo a mais agradável surpresa - a Erasmus Students Network convidava todos os alunos a juntarem-se a eles para assistir a La Finta Giardiniera no emblemático Teatro alla Scala por apenas 12 euros.

O Teatro alla Scala é o teatro de ópera principal de Milão e também o mais emblemático, constituindo uma das principais atrações turísticas da cidade. O seu interior é de cortar a respiração, com uma sala de espetáculos enorme e de uma beleza incomparável, uma acústica incrível e trabalhada de uma forma sublime. Não consigo descrever o que senti quando entrei no último andar com lugares para a ópera e olhei para toda a sala no seu esplendor. As luzes todas acesas, as pessoas a encaminharem-se para os seus lugares com o seu ar emproado, vestidas a rigor para um espetáculo que criara muitas expectativas no coração de todos.


A ópera que estava prestes a assistir foi composta por o conhecido compositor Wolfgang Amadeus Mozart e narra a história de um casal apaixonado que, no início, é separado por uma acção impulsiva de um deles mas que, pelas circunstâncias da vida, vê o seu destino a cruzar-se novamente. Conseguimos, assim, acompanhar o desenvolvimento da romântica história destas personagens, em paralelo com as personagens secundárias de toda a trama. No entanto, e tal como é característico de uma história lírica, todo o enredo é cantado de forma exagerada, dramatizada e com um impacto fortemente acentuado, acompanhado por uma orquestra ao vivo que dá vida às partituras clássicas, também elas dramáticas e que guiam a intenção da ação da personagem.

A experiência é de outro mundo. Apesar dos contratempos que apanhei nesta ida à ópera - a soprano principal estava doente e, portanto, foi substituída por outra voz, compreendendo-se perfeitamente que a atriz em palco estava a fazer playback durante a sua atuação -, e dos lugares em que fiquei não serem os melhores - ficando nos lugares mais acima e mais atrás, pelo preço reduzido, acabei por passar grande parte do espetáculo de pé para conseguir ver todas as dinâmicas que desenrolavam em palco -, foi incrível ouvir o primeiro soar dos instrumentos musicais, a primeira canção, o primeiro tenor a cantar em plenos pulmões para uma plateia que, no fim de cada ação, aplaudia fervorosamente e sentir os arrepios que me corriam pela espinha de cada vez que uma nota mais aguda era alcançada sem o menor esforço.

A duração da mesma foram 4 horas, tendo um intervalo a meio de 30 minutos, tornando-se menos cansativo. Os figurinos estavam conseguidos na perfeição e os cenários eram do mais realista que já vi - até as janelas abriam nas paredes. De realçar que, no final da ópera, o cenário acaba completamente destruído, o que exige uma constante manutenção do mesmo, tornando-o ainda mais especial. A movimentação em palco e a expressividade teatral dos atores que deram vida às 7 personagens em palco também deve ser elogiada, destacando Serpetta, a criada espevitada, que mostrava uma energia acima da média em palco - talvez pela personagem pouco convencional. E, apesar de não entender a maior parte da história em si ao longo da ópera, é impossível não nos deixarmos emocionar pela beleza que é esta arte e pela oportunidade que temos em poder presenciá-la. Se alguma vez tiverem essa oportunidade, vão à ópera. Não se irão, com certeza, arrepender.

Já alguma vez assistiram a uma ópera? Têm curiosidade?

sábado, 13 de outubro de 2018

12 Horas em Torino

Foi simples para mim decidir o primeiro destino ao qual iria a solo. A cidade de Torino pareceu-me lógica desde o primeiro momento em que comecei a traçar itinerários pela sua notoriedade, pela proximidade a Milão e pela quantidade enorme de atividades - e bastante variadas - que a mesma oferecia - desde museus a parques, passando pelas ruas tão características.

Foi assim que, pelas 7 da manhã do último fim-de-semana de Setembro, me pus a caminho de Torino com ajuda da Flixbus. Cheguei ao destino duas horas depois, ainda com algum sono mas cheia de vontade de conhecer a cidade. Decidi que a primeira coisa que queria visitar era o Musei Reali di Torino, ao qual pertence o Palazzo Reale, por ser um ponto mais turístico e de forma a evitar grandes filas na bilheteira. Dirigi-me, portanto, e um pouco às cegas - fui parar a uma das 4 feiras que vi ao todo durante a minha passagem pela cidade nesta tentativa de não recorrer ao telemóvel - à Piazza Castello, a praça onde encontramos a maioria dos museus da cidade, num conjunto de edifícios em tons claros.

Aqui adquiri o mapa da cidade com todos os pontos principais da cidade assinalados e confirmei a vontade que tinha de visitar o interior do Palazzo Reale. Sorte a minha do museu estar em celebrações e, portanto, paguei metade do bilhete - ou seja, apenas 3 euros. O bilhete na totalidade é 12 euros, havendo descontos para idosos, estudantes ou crianças e incluí-a a visita ao Palácio, à Cappella della Sacra Sindone, à Armeria Reale e a uma parte do Giardini Reali. Dizer-vos que estes 3 euros fizeram-se valer é pouco.


Tenho que admitir que as minhas expectativas já estavam elevadas após ter visto algumas fotografias do palácio pelo Instagram. Seria de esperar que essas expectativas fossem igualadas mas nunca superadas. E tal aconteceu. Com uma imensidão e uma grandeza ímpares, o Palácio Real é de cortar a respiração a cada sala distinta por onde passamos, desde o momento em que subimos as primeiras escadas, ornamentadas num estilo barroco e com frescos pelos tectos até aos jardins, onde terminamos o percurso, com um aspecto cuidado e com uma perfeita simetria.

Somos conduzidos, no interior do Palácio, a ver os aposentos do rei e da rainha, as salas de convívio, a sala do trono, a armaria - recheada de diferentes armaduras pertencentes aos diferentes estatutos sociais e os respetivos corceis, bem como diversos exemplos de armas utilizadas ao longo dos anos nas batalhas em nome da monarquia -, a sala de jantar ou a sala chinesa. Todas elas frescos incríveis desenhados nos tetos, paredes extremamente detalhadas, candeeiros de tecto do mais bonito que já vi e com semelhanças entre si, constituindo uma bonita harmonia entre as diversas salas que podemos visitar.

No final deste percurso, somos convidados a visitar a Cappella della Sacra Sindone, uma capela católica de estilo barroco extremamente trabalhada - como o estilo exige -, com algumas esculturas em mármore e em tons monocromáticos. Apesar de ser bastante bonita, deixa a desejar depois de toda a riqueza que presenciamos ao longo do interior do palácio. A mesma reação se coloca para os jardins reais que, apesar de terem imenso potencial e terem um espaço muito bonito e bem verdinho, acabam por perder um pouco porque não serem explorados da melhor forma. No entanto, penso que estavam em obras e, portanto, pode ser que seja uma das renovações à qual eles tomarão atenção.


Duas horas e poucos minutos depois, saí do Palazzo Reale com um lugar especial para este local no meu coração e rumei em direção à Porta Palatina, um antigo portão romano que permitia a passagem entre o lado norte da cidade e o centro da mesma. A imponência desta estrutura, toda em tijolo vermelho, constitui um marco histórico da cidade e, hoje em dia, serve como local de convívio para grupos de amigos nos jardins circundantes. Passada a porta, e algumas ruas depois, damos de caras com a Piazza della Republica que, nesse dia, estava cheia de barracas de feirantes - estilo feira de Carcavelos! Como devem perceber, não consegui ver quase nada da zona da praça mas vi alguns negócios nas várias barracas - não estivesse eu em contenção de custos e tinha voltado com um par de sapatos novos para casa -, mas deu para perceber que é uma das zonas mais citadinas da cidade, virada para o comércio local.

Posto isto, estava na hora de me dirigir ao segundo e último museu que sabia que tinha que visitar. Localizado no Mole Antonelliana, o Museu Nacional do Cinema despertou a minha atenção tanto pela temática que me interessa como pelo próprio monumento que, tal como o nome indica, é de dimensões extraordinárias e é observável de muitos dos pontos da cidade. Este museu mostra-nos o desenvolvimento e criação do cinema, a física por detrás do mesmo e a sua história. Com imensas salas diferentes adequadas a cada era do cinema, imensas atividades interativas com o utilizador, uma zona dedicada em exclusivo ao desenvolvimento sonoro dos filmes onde podemos deitar-nos e relaxar ao som das bandas sonoras mais badaladas e um hall of fame com alguns dos melhores clássicos do cinema, vale a pena visitar este museu que nos leva às diferentes décadas do cinema e nos faz palpitar o coração com amor pela sétima arte.


Seguiu-se a Via Po, com as suas arcadas tão características desta cidade e as lojas locais que termina na enorme Piazza Vittorio Veneto que, tal como a maior parte das casas ao longo de toda a cidade, tem casas com cores muito suaves e neutras como o branco e o bege, não sendo, de todo, característico das outras cidades italianas que já visitei. Com imensas esplanadas, lembrou-me ligeiramente o Terreiro do Paço - mas em qualidade inferior, claro - e deixou-me com saudades da minha terra. No final da praça e sobre o rio Po encontra-se a ponte Vittorio Emanuele I que liga os dois lados da cidade.

Se o lado histórico da cidade é plano, o mesmo não se pode dizer sobre o lado oposto da mesma. Cheio de grandes montes e ruelas com uma elevada inclinação, é no Monte dei Cappuccini que podemos ter uma vista abrangente sobre a cidade de Torino, caso não queiram visitar o Museu do Cinema. Infelizmente, não tive tempo de subir a esse monte mas consegui entrar na Gran Madre di Dio, uma igreja com uma fachada imponente mas que, no seu interior, se apresenta bastante simples. O mais bonito desta igreja é a vista que apresenta sobre a praça que deixámos do outro lado do rio e sobre a cidade - ainda que reduzida, por não ser um ponto muito alto.


A passagem para o lado de lá do rio não foi a mais proveitosa e, portanto, decidi seguir ao longo da margem do rio em direção a uma segunda ponte para passar para o local que mais ansiei durante todo o dia - o Parco del Valentino. Se vocês me conhecem, sabem que eu adoro a natureza e adoro pequenos parques para passear, relaxar um pouco e passar algum tempo a apreciar a vida. Por isso, fazia todo o sentido para mim priorizar o tempo neste parque e, agora que passou, agradeço que o tenha feito. O parque é enorme e no dia de sol que apanhei pude presenciar a verdadeira essência do mesmo - os jardins cheios de pessoas a relaxar, a conviver e a petiscar. Gargalhadas no ar, imensos cães a passear e uma paz indescritível. Aproveitei para me sentar um bocadinho, comer alguma coisa, ver algumas fotografias que tinha tirado e relaxar, também.

Neste parque encontram ainda o Orto Botanico e o Castello del Valentino, um ao lado do outro e ambos com entrada paga, o que fez com que não entrasse nos mesmos. No entanto, sinto que não foi uma perda significativa, uma vez que o tamanho do jardim botânico me pareceu bastante reduzido e sem grande variedade a nível de espécies de plantas e o castelo se encontrava encerrado - ou pelo menos assim o aparentava. Aquilo que eu mais queria ver no parque era o Borgo Medievale, uma vila medieval à beira rio que, em todas as pesquisas que fiz, era altamente aclamada. O problema? Não fazia ideia em que zona do parque se encontrava. Depois de 3 voltas àquilo que eu pensava ser o comprimento do parque sem encontrar a vila e já com vontade de desistir, fiz o esforço de dar uma última volta pelo parque e ainda bem que o fiz - encontrei o tão aguardado reino medieval. Com uma área muito pequenina e com lojas artesanais no interior, teletransporta-nos por minutos para uma era diferente e desperta-nos a vontade de conhecer mais locais assim.


Pensei em terminar esta jornada com uma bebida típica de Torin - um Bicerin. Feito de café, chocolate e natas, é uma bebida muito aconchegante porque é servida a escaldar e serve perfeitamente como lanche. Gostava de me lembrar do nome do café onde bebi o bicerin, porque tanto o espaço como o serviço eram incríveis mas a memória de Dory não o permite! Com isto, faltava cerca de 1 hora e meia para o meu autocarro partir e pouco mais para visitar. Decidi, portanto, dar uma olhadela à zona histórica da cidade, passando por dois locais onde ainda não tinha passado. As ruas estavam cheias de pessoas, turistas e italianos que, com o entardecer, procuravam regressar às suas casas e as ruas estavam repletas de artistas de rua. Confesso que o encanto foi diferente daquele que senti logo de manhã, quando por lá passei pela primeira vez. Ver o pôr-do-sol dourado sob os edifícios brancos, ouvir a música ambiente e a agitação da cidade deram uma sensação acolhedora àquelas ruas.

Começando pela Piazza San Carlo, uma praça pedestre com dimensões semelhantes à Piazza Castello mas com um encanto diferente. Todas as lojas de luxo que podemos encontrar ao pé das arcadas. A contrastar com os edifícios desta praça, umas ruas abaixo, encontramos o Palazzo Carignano, um palácio todo em tijolo vermelho trabalhado de uma forma sublime e que se destaca dos demais edifícios, apesar de se encontrar numa praça muito recatada. Foi aqui que dei por encerrada esta jornada e me pus a caminho da estação de autocarros, por entre cantos e acordes de guitarra dos artistas, para voltar a Milão com o coração recheado de memórias boas.


Confesso que sinto que não ficou nada por ver. Apesar de ter gostado de ter mais tempo para visitar mais alguns dos muitos museus que a cidade tem para oferecer - o Museo Egizio ou o Museu do Automóvel -, sinto que vi aqueles com os quais me identificava mais e que faziam mais sentido, tendo em conta a estadia curta. É uma cidade que, apesar de bastante grande, se vê relativamente bem num dia inteiro, desde que mantenham um bom ritmo entre exposições e não percam tempo com pormenores. Aliás, admito que até os meus pés sentiram que não ficou nada por ver, uma vez que, no regresso a Milão, teimaram em não entrar nos sapatos.

Ficaram curiosos com a cidade? Qual foi a atração que mais vos chamou a atenção?

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

4 Artistas femininas que tens que conhecer

Conheço semanalmente dezenas de artistas diferentes, seja por curiosidade despertada por publicações de amigos, por pesquisas próprias nos cantos obscuros do Spotify ou porque o Youtube gosta de me mostrar coisas novas com a famosa reprodução automática. No entanto, e como a seleção natural atua em qualquer um dos ramos da nossa vida, no meio de todos estes artistas que passam pelos meus ouvidos - e ouvidos dos meus vizinhos, visto que não costumo utilizar fones para ouvir nada dentro de casa -, apenas alguns me cativam e se mantêm na minha memória para revisitar mais tarde.

De entre as inúmeras artistas que conheci recentemente, destaco as quatro artistas femininas que hoje vos apresento - a Lucy Rose, a Jorja Smith, a Billie Eilish e a Mahalia. Seja pelas suas vozes, diferentes entre si mas todas angelicais, ou pelo carisma que apresentam enquanto actuam - desde a mais envergonhada mas querida até à mais descontraída -, estas artistas conquistaram-me praticamente desde o momento em que as ouvi pela primeira vez e ganharam um lugar no meu coração - e, depois disto, espero que no vosso.

LUCY ROSE

A primeira artista de que vos falo é também aquela que conheço à mais tempo e que mais admiro. O timbre doce da Lucy Rose conquista-me a cada canção que ouço dela e o facto de qualquer uma das canções dela soarem tão bem - ou melhor - com uma guitarra nos seus braços fazem com que seja o meu tipo de artista automaticamente. Uma voz muito calma mas muito rica, com um alcance vocal que não é muito impressionante mas que nos aquece o coração. A sua música soa como se ela nos tivesse a sussurrar ao ouvido aquilo que quer e nós, ouvintes, agradecemos e sorrimos perante a doçura de uma voz de princesa.


JORJA SMITH

Desde o primeiro momento em que ouvi a voz da Jorja Smith que ela não sai das minhas playlists diárias. Não é segredo nenhum que eu gosto de uma boa voz, que seja forte mas que não tenha demasiado exageros vocais. Afinal de contas, menos é mais, seja no nosso estilo ou nas músicas que ouvimos no nosso dia-a-dia. E, portanto, não foi difícil de me apaixonar pelo soul na sua voz, pelo timbre muito próprio dela, ligeiramente nasalado, pelas batidas ritmadas e características de um cruzamento entre a música pop e um R&B pouco comercial e pela forma serena como se apresenta em palco em qualquer uma das suas atuações.


BILLIE EILISH

A terceira da lista foi um belo acaso do shuffle do youtube. A Billie Eilish apareceu-me em reprodução automática após a estrondosa Jorja Smith. Mas, mesmo vindo depois de uma voz poderosa como a da Jorja, conquistou-me de imediato pelos seus vocais diferentes, muito respirados e pelo alcance vocal incrível que tem, ainda que bastante encoberto nas suas canções que tocam o indie. Não sendo de grandes gritos, conquista-nos essencialmente pela diferença no timbre suspirado e, mais uma vez, pela sua atitude relaxada em qualquer uma das suas atuações. Com apenas um álbum lançado - o don't smile at me -, é a artista que temos que manter debaixo de olho porque está em ascensão ao topo.


MAHALIA

A última da lista foi um daqueles casos em que primeiro se estranha, depois se entranha. A primeira vez que ouvi a música que partilho com vocês não consegui gostar do timbre da Mahalia por ser tão rico e diferente daquilo que, hoje em dia, se ouve e é considerado bonito. No entanto, sabia que ali havia algo que me cativava porque, involuntariamente, continuava a carregar no replay. Com um timbre mais grave que qualquer uma das cantoras mencionadas, ela impressiona pelo estilo musical que representa - uma mistura de R&B com rap cantado. Com batidas carregadas mas descontraídas, é uma lufada de ar fresco no cruzamento entre estilos e na voz nada forçada.


Já conheciam alguma destas artistas? Qual delas foi a vossa favorita?

domingo, 7 de outubro de 2018

Tendências de Beleza para o Outono de 2018

Não é segredo para ninguém que eu não sou perita em maquilhagem. Aliás, nem sequer a utilizo no meu dia-a-dia. No entanto, é uma área da qual gosto imenso e que acho importante explorar. E, apesar de me manter pela minha máscara de pestanas e eyeliner com uns lábios subtis ou mais ousados - dependendo do meu mood e da ocasião -, acho importante manter-me a par daquilo que mais se utiliza no mundo da beleza.

De entre as imensas tendências de beleza que encontrei - colocar glitter nas nossas pálpebras, utilizar cores fortes de sombras sem qualquer tipo de máscara de pestanas para criar contraste ou até utilizar gloss com uma dose extra de brilho -, destaco 5 tendências com as quais me identifiquei mais ou que achei mais curiosas.

UNDERLINER IS BACK FOR GOOD 

Todos passámos pela fase gótica em que utilizávamos uma camada de lápis preto na nossa linha de água para nos dar um aspecto mais misterioso. E, confesso, esta foi uma tendência que tentei enterrar no buraco mais fundo que consegui mas que, de vez em quando, teima em retornar nostalgicamente. E, nesta estação, o nosso eu adolescente está na moda! A linha de água pronunciada com sombra ou lápis de diversas cores marcou quase todas as maquilhagens que passaram pela runway e, portanto, é tempo de começar a brincar com as nossas sombras um pouco mais na zona da linha de água. Sem medos, arrisquem e experimentem cores diferentes na pálpebra e na linha de água, para criar contraste e uma maquilhagem mais arrojada.

BOLD LIPS ARE THE ANSWER 
The Body Shop - Maybelline - Sephora - Nyx CosmeticsQuem disse Berenice?



NATURAL MAKE-UP IS THE WAY 


Ah, o meu tipo preferido de maquilhagem - talvez porque me faz parecer cuidada quando na realidade tive preguiça para me maquilhar. As peles cuidadas mas o mais naturais possíveis, um bocadinho de iluminador nos pontos principais do rosto para iluminar as nossas melhores características e pouco mais. Uma arte difícil de dominar - afinal de contas, maquilhar-nos de forma a não parecermos maquilhadas parece nem fazer sentido - mas que, quando dominada, resulta num efeito muito bonito e perfeito para o dia-a-dia. Optem por uma base com cobertura leve, um bronzer com um tom apenas ligeiramente mais escuro que o vosso e um batom hidratante e estão prontas para ir.

WHITE SILVER ON YOUR LIDS 
PEACH ON YOUR CHEEKS

Se antes as bochechas rosadas eram motivo de vergonha e embaraço, nos dias de hoje são motivo de orgulho. Ser-se um pouco rosadinha nunca ficou tão bem, especialmente quando é intencional. Os blushes com tons pêssego/arrosado estão muito em altas e ficam bem numa maquilhagem mais natural, colocado um pouco acima da zona do contorno, de forma a subir as nossas maçãs do rosto e afinar o vosso rosto. A boneca de porcelana já não se utiliza! Abracem a vossa rosácea e divirtam-se com as vossas bochechas para um cruzamento de rapariga inocente com estafeta cansado.

Qual é a vossa tendência favorita, de todas?

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Uma tarde em Verona

Estávamos no início de Setembro, ou seja, nos dias de um calor absurdo, eu e os meus pais tínhamos acabado de sair do nosso voo que nos tinha forçado a acordar por volta das 2h30 da manhã e, com mais olhos que barriga e como o itinerário a que nos propusemos mandava, rumámos em direção à cidade que inspirou o famoso romance Romeu e Julieta, a bella Verona.

Com o tempo contado e bem reduzido, estacionámos o carro perto da Puorta Nova, a uma distância boa a pé da zona central da cidade e seguimos caminho pelas ruas desta cidade que desde cedo nos encantou. A primeira praça com que nos deparámos foi a Piazza Bra que, apesar de não ser das praças mais bonitas que já vi, nos impressiona pelas suas dimensões. É também a zona onde podemos encontrar a Arena di Verona, um anfiteatro romano que é a casa de muitos espetáculos de ópera e que marca uma forte presença na mesma, também pelas suas dimensões. Apesar de ser possível visitar o seu interior, escolhemos não o fazer pela falta de tempo e rumámos diretamente para a Via Mazzini, onde nos perdemos de amores pela cidade.


As casas pelas quais nos fizemos rodear ao longo das ruas transversais a esta via eram de uma beleza demasiado grande e de um encanto que não é possível descrever por palavras. Os tons terra e alaranjados que todas as casas tinham, contrastando umas com as outras de uma forma harmoniosa e as lojas igualmente apelativas que se encontravam nesta rua fizeram o perfeito casamento para passarmos algum tempo nestas ruas e ruelas, até que por fim nos encontrámos na Piazza delle Erbe.

Aqui, é possível encontrar inúmeros mercados com todas as recordações da cidade que possamos imaginar - globos de neve, ímanes, camisolas, estátuas, etc. Mais uma vez, ficamos impressionados com a arquitectura das casas, muito romântica e com tons muito característicos das ruas italianas e com a sua dimensão. É nesta praça que podemos encontrar a fonte da Madonna Verona, a Torre del Gardello e o Palazzo Maffei, em tons mais esbranquiçados. Seguimos caminho em direção ao Duomo di Verona, uma enorme estrutura em branco sujo pouco trabalhada e com detalhes em tijoleira castanha e bege. O padrão listrado criado pela posição da tijoleira cria um efeito visual muito bonito e, apesar de não ser especialmente impressionante, torna-se um destino esteticamente apelativo e agradável de admirar.


Apesar dos protestos por parte da minha família, havia um último local que eu queria visitar antes de me deslocar para o monumento final. Em qualquer lugar de Itália é possível encontrar um curso de água e Verona não é excepção. A Ponte Pietra é a ponte romana mais antiga da cidade e dá-nos uma bonita percepção daquilo que se encontra do outro lado do rio Adige, compondo uma vista bonita sobre os dois lados da cidade. A estrutura da ponte é muito característica das pontes italianas e, apesar de não ser muito ornamentada, tem o seu charme. Daqui, colocámo-nos a caminho para o destino final, sem antes passar pela Casa di Romeo, que não se encontra devidamente sinalizada e, portanto, fica a dúvida de se este é a verdadeira habitação do eterno apaixonado.

Por fim, a chegada ao destino mais aguardado de toda a cidade - a Casa di Giulietta. Não há como negar que Verona é uma das cidades do amor e a prova disso encontra-se nas fachadas da entrada da Casa, onde casais enamorados deixam as suas declarações de amor em forma de papel ou em forma de cadeado, celebrando o amor que os une. O que em qualquer outro local seria visto como um acto de vandalismo, aqui é visto como uma forma de amor e, a meus olhos, um acto ternurento. Porque haveremos de guardar para nós o facto de estarmos apaixonados?


Entrando na casa, encontramos a famosa estátua de bronze de Julieta a quem temos que esfregar o seio direito. Reza a lenda que, se esfregarem a mamoca da senhora, terão felicidade eterna no vosso casamento ou relacionamento. Acreditando ou não nesta lenda, a verdade é que ninguém quer arriscar e, portanto, toda a gente queria o seu momento com a estátua. Do lado direito da mesma, encontra-se a varanda onde Romeu declara todo o seu amor por Julieta, que é, sem dúvida, o local perfeito para juras de amor por ser toda trabalhada e em sólidos tons beges.

A nossa visita terminou aqui, no sítio mais romântico da cidade, uma vez que o tempo estava a escassear e tínhamos que rumar ao próximo destino - Pádua e Veneza. É uma cidade relativamente rápida de visitar, na minha opinião, e que não exige um orçamento muito elevado uma vez que todos os pontos principais para visita são ao ar livre ou de entrada gratuita. Claro que, nesta visita, não considerei visitar nenhum dos museus uma vez que não tínhamos tempo nem grande vontade para tal - com duas horas de sono, é complicado estar demasiado tempo fechado no mesmo local sem sentir o peso do cansaço nos ombros. Fica a vontade de regressar a esta cidade que me roubou o coração, com mais tempo e menos cansaço.

Alguma vez visitaram Verona? Têm curiosidade?
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