sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Séries // Shameless

Já vos falei diversas vezes da dificuldade que tenho em riscar séries da minha lista de séries a ver porque, de cada vez que procuro algo novo e com qualidade, acabo sempre por me deixar levar pelas séries mais leves, mais simples ou que sejam recentes. O constante surgimento de novas séries faz com que bons clássicos fiquem para trás e acabem por cair no esquecimento, mesmo que não seja intencionalmente. No entanto, desta vez não me deixei sucumbir pela vontade de ver algo irrelevante e decidi riscar Shameless da minha watchlist - e bendito o dia em que o fiz.

Esta série conta a história da disfuncional família Gallagher, composta por Frank, o pai alcoólatra, lunático e sempre metido nalgum tipo de problema e os seus 6 filhos - Fiona, Lip, Ian, Debbie, Carl e Liam - e de como estes sobrevivem ao seu dia-a-dia sem qualquer supervisão parental, com a falta de dinheiro ao longo do mês para pagar as contas da casa e com todo o drama inerente ao facto de viverem no South Side - a pior zona de Chicago.


As personagens desta série são das mais ricas que já vi, por terem mil camadas, mil facetas e uma bagagem emocional incontestável. A vida dos Gallagher nunca foi fácil, e nunca o será, apesar das personagens batalharem nesse sentido e muitas vezes ao longo da trama sermos enganados a acreditar que sim. Esta é uma série que pega em todo o tipo de tragédia e a trabalha de uma forma humorística - atenção que não é um humor saudável mas sim daqueles que nos corrói o coração ao longo do tempo. Trata a realidade da classe trabalhadora baixa, uma realidade de pobreza, de abandono parental e de negligência e temáticas importantes como a homossexualidade, a gravidez na adolescência, o mundo das drogas, o alcoolismo, a mudança de género ou a adopção com uma leveza e uma simplicidade que nunca antes tinha visto. Sim, as situações são exageradas. Sim, é tudo levado a um extremo. Mas mostra uma realidade pela qual muita gente passa e que, por vezes, nem temos noção.

Se tivesse que escolher uma personagem favorita, escolheria o Frank. Partilhando o holofote como personagem principal com os demais, é o progenitor desta família, um alcoólico, vigarista nato e inteligente como ninguém. É daquelas personagens tão odiáveis que acabamos por gostar, porque começamos a imaginar o que terá tornado aquela pessoa tão má assim. A sua capacidade de se meter nos mais loucos esquemas, a sua perspicácia para angariar dinheiro e o seu desejo por aventura constante conquistam qualquer um, seja pela positiva ou pela negativa. Para além dele, a docura camuflada do Carl e o romance inesperado e bruto entre o Ian e o Mickey derrete o meu coração de cada vez que aparecem no ecrã. São realmente personagens bem conseguidas, com uma narrativa inteligente e muito trabalhada, que nos fazem viver a sua história, sentir as suas frustrações e gritar com o ecrã quando fazem algo errado - o que, acreditem, acontece demasiadas vezes. O guião está escrito de uma forma excelente, fazendo a classificação da série saltitar entre o drama e a comédia de uma forma subtil. Além disso, e uma vez que a série tem um total de 9 temporadas, podemos ver as personagens crescerdesenvolverem as suas personalidades e serem protagonistas das suas próprias intrigas. Isto torna a série muito mais dinâmica e cativante, porque existe sempre algo de novo a acontecer, sempre surpreendente e ainda mais dramático que no episódio anterior - como uma boa série assim exige. 

É impossível não mencionar a qualidade do elenco desta série. A personagem de destaque, Frank,  é interpretada de uma forma absolutamente soberba pelo William H. Macy - se não acreditam, saibam que ganhou 4 prémios e inúmeras nomeações pelo papel - e que demonstra uma qualidade ímpar como actor que se destaca dos demais. A intensidade com que a personagem é guiada através da expressão de homem trabalhador do actor é de louvar e mostra uma escolha inteligente de elenco por parte da produção. Para além dele, posso ainda parabenizar a actriz que interpreta a personagem de Fiona, Emmy Rossum que, apesar de, para mim, não se encontrar ao mesmo nível, não deixa de tornar a série naquilo que ela é e demonstrar grande capacidade performativa ao longo dos mais de 10 anos de gravações. Esta não é uma produção que exija grande figurino ou efeitos especiais, mas os cenários utilizados são muito adequados à realidade da narrativa e as escolhas sonoras inteligentes e adequadas a cada vivência da trama. Uma série que eu sabia que não me iria desiludir e que passou imediatamente para a minha lista de séries a recomendar para qualquer pessoa. Uma comédia pesada, real e bastante diferente daquilo que se encontra no grande ecrã!

"I trust you. That's bigger to me than I love you"

Já viram Shameless? Gostam desta série?

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

10 Sítios a não perder em Budapeste

A minha primeira grande viagem para fora de Itália desde que estou por aqui foi planeada em cima do joelho e comprada por impulso. A verdade é que já tinha imensa curiosidade em visitar Budapeste, a capital da Hungria, há imensos anos e quando surgiu a oportunidade para tal não consegui dizer que não – e não podia estar mais contente com a minha escolha. 

Esta cidade encantada divide-se em dois lados muito distintos entre si. Buda, o lado montanhoso, romântico e histórico da cidade – e, diga-se de passagem, o meu favorito –, e Peste, o lado citadino, plano e mais vivo da cidade. É fascinante observar duas realidades tão contrastantes mas que se complementam na perfeição. O melhor de tudo é ser tão simples apaixonarmo-nos por ambos os lados por serem tão únicos, tornando Budapeste a cidade mais dinâmica que já visitei por esta magia que se sente no ar. Nesta publicação, trago-vos então os meus 10 sítios favoritos em Budapeste – ou 10 coisas que têm que fazer em Budapeste, sem qualquer ordem específica –, que devem fazer parte da lista de todos aqueles que visitam esta cidade pela primeira vez. 

FISHERMAN’S BASTION
Com uma vista incrível sobre a cidade de Peste, por entre as suas janelas, o Fisherman’s Bastion - nome que se deve aos pescadores que outrora aí defenderam a cidade - é conhecido pelos instagrammers como o sítio a tirar fotografias pela sua vista panorâmica sobre o lado de Peste. No entanto, é muito mais do que um monumento bonito. Aliás, ultrapassa isso e todas as expectativas que possam criar sobre o mesmo. Uma estrutura em tons de bege, muito suave e muito agradável ao olhar pela ilusão de espiral que cria ao nosso olhar, composto por inúmeras janelas onde podemos sentar-nos e apreciar a vista. 


BUDA CASTLE
Com umas dimensões extraordinárias, este castelo surpreende não pela sua estrutura - que, apesar de bonita, não impressiona quando comparada com outros monumentos da cidade - mas pelo facto de aí se encontrarem exposições temporárias sobre os mais variados temas. Além disso, a área circundante ao castelo é muito bonita para dar um bom passeio e apreciar o verdadeiro romantismo que se faz sentir por todo o lado em Buda.

UMA CERVEJA NO SZIMPLA 
Qualquer pessoa que vá a Budapeste sabe que uma das paragens obrigatórias nesta visita são os Ruin Bars. Tal como o nome indica, estes são espaços de convívio e lazer que aproveitam os edifícios destruídos na 2º Guerra Mundial para a construção de bares muito fora da caixa. O único que visitei foi o mais conhecido, o Szimpla, um edifício composto por muitos bares diferentes de tudo aquilo que já vi. Tendo cada um a sua decoração, muito própria e muito pouco convencional, é um excelente sítio para relaxar depois de uma boa tarde de passeio ou até para ir tomar um copo durante a noite. Aproveitei para repor energias aqui, com uma caneca de cidra numa mão e a máquina na outra, a absorver todos os detalhes daquele que é o espaço mais cool que já vi na minha vida – e duvido seriamente que seja superado. 


 ESPETÁCULO DE LUZES NA MARGARET ISLAND
A visita à Margaret Island deu-se no meu último dia em Budapeste e não podia ter culminado esta viagem de melhor forma. Esta ilha é basicamente um parque, com imensas atrações distintas – um jardim japonês, um campo de flores, alguns cafés ou bares para relaxar -, sendo a principal uma fonte luminosa que está, continuamente, a proporcionar a por quem lá passa belíssimos espetáculos de água. Se durante o dia já é um bom espetáculo para assistir, de noite é que a magia acontece. Em horários específicos do dia, acontecem espetáculos de luzes que combinam música, luz e efeitos aquáticos de uma maneira incrível e que nos deixam maravilhados. O melhor de tudo é que este espetáculo é totalmente grátis e existem inúmeras repetições do mesmo ao longo do dia. 


PARLAMENTO
O parlamento é a figura que ilustra todos os postais de Budapeste. Imponente, com longos metros de comprimento, este edifício é, de longe, dos mais bonitos que já vi. Construído com um detalhe ímpar, como o estilo gótico assim o exige, deixa-nos boquiabertos ao caminharmos em torno do mesmo e ficamos perplexos por aquele não ser um edifício de outro cariz – mais religioso ou cultural. Afinal de contas, até dá gosto falar de política com aquele edifício como pano de fundo. Um local que é imperdível para qualquer pessoa que visite a cidade e que é impossível não adorar, seja pela sua escultura detalhada, pelos seus tons esbranquiçados ou por estar a ornamentar o lado de Peste da melhor forma possível.


EXPERIMENTAR GOULASH
Se havia alguma coisa que queria experimentar na minha viagem a Budapeste, era goulash. Para quem não sabe, esta é uma sopa típica destes países constituída por alimentos muito consistentes como carne, batata e cenoura. Uma espécie de estufado bem temperado, com muito molho e um pouco picante, se me perguntarem. Comi o meu no restaurante Kék Rózsa e não poderia ter escolhido um sítio melhor. Por pouco mais de 2 euros, experimentei este prato típico na sua melhor forma e adorei. Recomendo sem dúvida que experimentem porque é um prato bastante saciante e que vos deixará com energia para continuar a vossa jornada. 

MATTHIA’S CHURCH
Se acham que uma igreja é só mais uma igreja, devem de espreitar a igreja de Matthia. Apesar de não ter visitado o seu interior, é possível observar, através do seu telhado adornado com telhas de diferentes cores a criar uma espécie de padrão tribal ou todos os recortes na própria estrutura, muito semelhantes ao que podemos ver no Parlamento, que esta é uma igreja diferente das demais e que vale certamente a visita de todos. Além disso, está mesmo ao lado do Fisherman’s Bastion, o que faz com que este seja um dois em um perfeito para todos os turistas. 


SUBIR À CITADEL PARA UMA VISTA SOBRE PESTE
A subida pela Gellert Hill em direção à Citadel foi das primeiras coisas que fiz na cidade, para uma vista panorâmica do sítio onde iria passar os próximos 3 dias. A subida é íngreme, complicada para quem não está muito habituado a exercitar-se mas vale muito a pena. Ao longo da subida conseguem ter uma vista sobre o lado de Peste da cidade de cortar a respiração, o que vos encoraja para os metros que ainda faltam. Chegando ao topo, encontram-se numa praça consideravelmente grande onde existem algumas barracas com souvenirs e comidas tipicamente húngaras como os famosos chimney cakes – um bolo em forma de tubo coberto de açúcar que, se me permitem a descrição, sabe a diabetes. 


VAJDAHUNYAD CASTLE
Bem longe do centro da cidade encontramos a Heroes Square, uma praça dedicada aos heróis da antiguidade. Mas, se continuarem a caminhar em direção ao parque da cidade, podem encontrar aquela que foi uma das maiores surpresas da minha viagem. Inserido no parque da cidade encontra-se o Castelo Vajdahunyad, rodeado por um lago e pelo verde da natureza. Todo feito em pedra e com detalhes trabalhados ao pormenor, é a casa de alguns artistas de rua que por lá trabalham e que animam o seu interior com música ou caricaturas feitas na hora. Também existem aqui algumas exposições sobre a história de Budapeste, com conteúdo interessante e formativo – caso não levem guia, é uma boa opção para saberem um pouco mais sobre a cidade. É impossível não nos apaixonarmos por este castelo e pelo parque circundante onde aconselho a passarem algum tempo a passear, a fotografar ou até a almoçar – que foi aquilo que eu fiz. 


SAPATOS NO DANUBE BANK
Os sapatos em metal ao longo da calçada, perto do Parlamento são das coisas mais emblemáticas da cidade e que não pode faltar no vosso guia. Esta homenagem a todas as vítimas judaicas que perderam a sua vida na 2ª Guerra Mundial - eles eram obrigados a descalçarem-se antes de serem executados sem qualquer piedade - aperta-nos o coração de uma forma que nunca antes tinha sentido. Não me esqueço de uma senhora que, assim que avistou os sapatos pela primeira vez, começou a chorar silenciosamente por todos aqueles que tinham perdido a vida sem qualquer motivo para tal. Sem dúvida que nos deixa a refletir sobre o quão mau o ser humano pode ser e sobre o que de pior aconteceu na história do nosso mundo. 


Para além de todos os sítios que enumerei e que foram aquilo que mais gostei de ver, aconselho a visita à Basílica de São Estevão, uma passagem pela segunda maior Sinagoga da Europa – a Dohány Street Synagogue –, os banhos termais na Széchenyi - muito conhecidos e com preços que não vão muito fora do habitual para este tipo de atividade – ou um passeio de barco pelo rio, uma vez que existem inúmeras opções a preços bastante apelativos também. Estas últimas duas atividades não tive oportunidade de fazer mas, no entanto, considero que valham a pena pelos relatos de outros turistas que por Budapeste passaram. Recomendo, também, como sempre, passearem pelas ruas e deixarem-se perder nelas. Não há melhor forma de conhecer uma cidade do que nas suas ruas e ruelas, nos caminhos sem saída e nos seus detalhes menos turísticos. Sublinho ainda que dois dias a três chegam para ver a cidade de fio a pavio e que, apesar de não ter sugerido muitos restaurantes – o meu tipo de viagem consiste em sandes a todas as refeições –, existem diversas comidas típicas que podem experimentar e os preços praticados por uma refeição completa em zonas turísticas rondam os 8 a 12 euros. 

Não posso deixar de agradecer à Daniela, do Another Lovely Blog!, por todas as dicas que me deu quanto à cidade e àquilo que deveria de fazer na mesma. Visitem o trabalho dela AQUI

Já visitaram Budapeste? Têm curiosidade em visitar?

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Os meus Canais de Youtube Portugueses Favoritos

Não é segredo nenhum que o youtube começa a ser a plataforma a que as pessoas mais aderem e na qual as pessoas se interessam mais. Seja pelo conteúdo ser de consumo mais rápido e não tão exigente como ler um texto num blog ou por ser mais visual, há um encanto no vídeo que desperta a atenção de toda a gente, sejam miúdos ou graúdos. E, apesar de continuar a ler blogs com a mesma avidez, comecei também a acompanhar alguns canais que sinto serem especiais por se desviarem um pouco daquilo que a maior parte dos canais portugueses fazem - e que acaba por ser conteúdo um pouco repetitivo e sem grande interesse em particular.


Seja pela sua irreverência, pelo conteúdo pensado ou pelas rubricas um tanto ou quanto diferentes, as 4 youtubers femininas que vos mostro hoje estão no cimo da minha lista de favoritos desde o primeiro vídeo que vi delas e dificilmente sairão daí.

MARIANA GOMES

O canal da Mariana Gomes é o meu favorito desde que me lembro. Sempre que me pedem sugestões, é a ela que recomendo. E porquê? Porque não existe nada igual no youtube português, que eu conheça e a meu ver. A serenidade da Mariana e a simplicidade do seu dia-a-dia saltam da tela do nosso computador a cada segundo dos seus vídeos, editados com uma preciosidade e uma atenção ao pormenor ímpar. A banda sonora de cada frame é das coisas que mais me faz gostar do seu canal -  muito dentro do meu estilo musical, com música relaxada e muito outonal, que vai de acordo com a sua pessoa. Além disso, o conteúdo que ela produz é muito genuíno e, tal como ela, dá-nos a sensação de que a vida deve ser levada com calma porque as coisas boas irão acontecer-nos.


A Bárbara é uma pessoa que é apaixonada por os assuntos que lhe interessam - seja o veganismo, a escrita ou os seus dois gatinho. Essa paixão é contagiosa e é este o principal motivo que me faz ver assistir aos seus vídeos. Com temáticas bastante actuais, ela senta-se em frente da câmara e fala connosco como se fossemos velhos amigos no café, sem tabus nem pudores. Expõe a sua opinião sem nunca a sobrepor à nossa, independentemente de poderem ser contrárias - acaba por nos explicar a bonita forma de como vê o mundo e convida-nos a partilharmos da mesma opinião. Aprecio especialmente a forma como grava os seus vídeos de receitas, que é absolutamente deliciosa - são como mini-filmes da sua vida e daquilo que ela cozinha.


Conheci o canal da Teresa através da Mariana, de quem vos falo acima, e, apesar de ser recente na minha lista de reprodução, não houve como não gostar do seu trabalho. Muito semelhante ao trabalho da Mariana - não fossem elas amigas -, a cada vlog somos projetados para o seu mundo e para tudo aquilo que pinta os seus dias com tons mais coloridos. Um canal principalmente composto por pequenos clipes diários, simples mas compostos de uma forma harmoniosa, o que demonstra uma grande capacidade de edição e um olho para a estética - que não surpreende ninguém quando descobrimos que está envolvida na área de artes.

INÊS ROCHINHA

A Inês Rochinha, do antigo mymakeupsecret, já não é nova no jogo e a minha admiração por ela também não. Da lista, é a mais diferente no sentido do seu conteúdo ir mais de encontro com o comercial. No entanto, aquilo que gosto no canal da Inês é o facto de, apesar de ter um canal com conteúdo mais comercial - beleza e moda, temas que adoro mas que se podem tornar um pouco superficiais -, não deixa de dar o seu cunho pessoal a todos os vídeos e de surpreender com vídeos diferentes, muito fora da caixa e muito pessoais. Uma edição impecável, com grande qualidade e uma personalidade amorosa, calma e bastante amigável fazem com que o seu canal esteja no topo dos canais com maior número de subscritores na sua categoria em Portugal - e bem merecido!

Conheciam alguma delas? Quais são os vossos canais de youtube favoritos?

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Como usar brilhantes no teu dia-a-dia

Se existem peças que são automaticamente associadas a um dia, são as peças com brilhantes e a respetiva passagem de ano. O Ano Novo e a procura pela peça com lantejoulas perfeita tornou quase tabu utilizar este tipo de tecido fora desta celebração, por assumir um papel de destaque nessa noite tão especial de festa e de celebração daquilo que está para vir. No entanto, as tendências ditam o contrário e, felizmente, as peças com lantejoulas foram resgatadas do fundo do baú para verem a luz do dia - sim, leram bem, a luz do dia.

Ao entrarmos em qualquer loja de fast fashion conseguimos encontrar imensos exemplos de que estas peças vieram para ficar, em modelos com cortes bastante casuais mas cobertos com os temíveis tecidos cheios de brilhantes. Esta tendência, para mim, nunca foi um bicho de sete cabeças, porque sempre considerei uma forma bonita de nos destacarmos sem grande exagero e, portanto, hoje explico-vos de que forma podem retirar as vossas peças brilhantes do armário e virem refletir luz para a rua sem parecerem completamente deslocadas ou perdidas no tempo. Seja como peça de vestuário, como acessório ou como calçado, há inúmeras formas de apostar nos brilhantes, que se vão adequar a cada pessoa e aos seus gostos pessoais.

NAS PARTES DE CIMA

Começo a publicação pela forma mais complicada de utilizar esta tendência para a maioria - como peça de vestuário. A verdade é que nem toda a gente se sente confortável em utilizar uma peça brilhante durante o dia porque sente que não fica bem ou que dará muito nas vistas. Mas, claro, como tudo, é uma questão de confiança. Se realmente sentires que deves utilizar a peça ou gostas da mesma mas não sabes o que os outros vão dizer, usa! O que importa é aquilo que tu gostas.  Falando especificamente das partes de cima, estas ficam sempre bem quando conjugadas com uma parte de baixo mais neutra. Por exemplo, se estão a utilizar um top de lantejoulas prateadas, utilizem umas calças pretas ou brancas como complemento. Dá um ar mais harmonioso e certamente mais elegante ao vosso conjunto. O mesmo para os vestidos - em caso de dúvida, conjuguem com sapatos ou acessórios neutros e está resolvido o vosso problema.

NA JOALHARIA
Neste campo refiro-me a brilhantes como tudo aquilo que brilha. Seja em forma de diamante ou em pequenas pedras, todas estas peças são ideais para quando tens uma ocasião mais especial ou quando o teu conjunto está bem simples e precisa de um upgrade. Seja uns brincos statement, um colar fino com uma pedra no fundo ou um anel com um diamante - nem sempre verdadeiro -, estes são acessórios vistosos mas que não se tornam exagerados. Por exemplo, se estiverem a utilizar um conjunto todo preto, uns bons brincos brilhantes dão outro ar ao vosso conjunto - mais elegante, mais composto e mais interessante. Claro que conjugarem acessórios brilhantes com uma peça de vestuário também chamativa talvez não seja a melhor ideia, porque não existe equilíbrio entre aquilo que estão a usar. A chave é conjugar o menos com o mais, de forma a que se crie um balanço neutro.

NO CALÇADO
CUBANA WELLIES // CONVERSE DOURADAS // GIOSEPPO SNEAKERS // COMBAT BOOTS

O calçado é a forma mais fácil de utilizar glitter ou tecidos mais brilhantes, na minha opinião. Aliás, é aquilo a que recorro quando quero dar um ar diferente aos meus conjuntos e fugir aos monocromáticos - uns sapatos mais chamativos e et voilá! A verdade é que todo o tipo de calçado com glitter tem outra magia que não consegue ter nas cores mais básicas. Tal como a joalharia com brilhantes, faz com que o nosso conjunto pareça automaticamente mais composto, seja um par de ténis ou um par de alpercatas, calçado que é naturalmente mais casual, ou até um par de oxford shoes, que são mais elegantes só por si.

Em conjunto com a Escape Shoes, uma loja online que vende calçado de marcas bem conhecidas por todos como a Cubanas, a New Balance, Nike ou a Lemon Jelly na mesma plataforma ao um preço semelhante ao das lojas físicas, apresento-vos quatro opções de calçado com brilhantes para quatro estilos bastante diferentes entre si. Como é perceptível, tentei fugir aos típicos saltos com brilhantes, visto que é a forma mais óbvia de incorporar esta tendência e não acrescenta nada a um conjunto por si só elegante. O segundo par, umas Cubanas, perfeitas para os dias mais chuvosos, é o meu favorito porque dá um toque especial aos vossos conjuntos sem chamar demasiada atenção. Além disso, é aquele tipo de calçado que se encaixa em qualquer estilo, visto que é um modelo muito versátil e funciona tanto com calças como com vestidos ou saias. Já o primeiro e o terceiro par são para as meninas mais desportivas, que não dispensam conforto mas que também querem incorporar esta tendência no seu dia-a-dia. Aqui, apostamos tanto nos ténis cobertos de brilhantes como num pequeno apontamento de brilhantes, duas formas igualmente válidas de utilizar esta tendência. Por fim, o quarto par de calçado é a opção ideal para mostrar o casamento entre o casual e o chique, tornando uma peça nada formal em algo muito mais composto. Continua casual, é verdade, mas tem um aspecto mais elegante e muito mais especial.

NOS ACESSÓRIOS
Sinto que esta é a forma que a maior parte das pessoas utiliza para incorporar esta tendência no seu dia-a-dia, a par com o calçado e a joalharia. As malas com brilhantes são uma constante nas lojas estação após estação por isso mesmo - é uma maneira simples de darem um toque especial ao vosso conjunto sem que chamem imensa atenção para o mesmo. No entanto, não precisam de se ficar pelas malas. As boinas com pequenas pedras, por exemplo, são uma maneira muito gira de tornarem um gorro diferente e mais bonito do que o mesmo com uma cor só. Isso ou os cachecóis com um pequeno mesclado em tons brilhantes que ficam muito giros num conjunto composto por tons neutros.

NAS PARTES DE BAIXO

As partes de baixo com brilhos são a aposta da maior parte das pessoas no que toca a esta tendência em peças de vestuário, uma vez que é mais fácil tornar uma parte de baixo mais casual do que uma parte de cima. Por exemplo, utilizando uma saia de lantejoulas com uma t-shirt ou uma camisola de malha obtemos o balanço perfeito entre o chique e o casual. Aliando a isto uns ténis temos a receita perfeita para um conjunto de dia-a-dia que é bastante chamativo mas que não é demasiado elegante ou exagerado. O truque, mais uma vez, passa por balançar as peças que utilizamos e os cortes das mesmas. Se a vossa parte de baixo é mais justa, joguem com uma parte de cima mais larga. Se, pelo contrário, a parte de baixo é mais larga, então apostem numa parte de cima mais justa - sem nunca esquecer que deve de ser casual, para contrastar com os brilhos da saia/calça.

Atenção ao seguinte - as peças não precisam de ser cobertas de lantejoulas ou de brilhos. Aliás, fica muito giro pequenas pintas de brilho em vestidos ou pequenas pedras nas calças, por exemplo. Estes pequenos apontamentos dão outro destaque à peça que estão a usar e são uma forma de incorporar esta tendência sem que seja de uma forma demasiado vistosa. Como digo sempre, as tendências são adaptáveis ao estilo de cada pessoa e temos que nos sentir sempre como nós próprias com aquilo que usamos. Se não sentem que as lantejoulas ou os brilhantes se adequam ao vosso estilo, então apostem noutras tendências que façam mais sentido para o vosso estilo pessoal.

Esta publicação foi escrita em parceria com a EscapeShoes. No entanto, todas as opiniões são pessoais e imparciais.

De que forma é que preferem utilizar glitter ou lantejoulas? Gostam desta tendência?

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Séries // Gossip Girl

Existem séries que são intemporais e que, por mais que não nos identifiquemos com as mesmas, fazem com que tenhamos curiosidade em vê-las para saber porque se tornaram tão populares na altura em que foram lançadas. Entre a enorme lista de séries que encaixam nesta descrição podemos encontrar Gossip Girl, uma série que admito estar há algum tempo para ver e para descobrir o motivo de tanto alarido em torno de um drama juvenil e chegou finalmente o momento de o fazer.

Esta série começa com o retorno de Serena, uma das seis personagens principais, a Nova Iorque depois de um súbito e repentino desaparecimento. Este regresso rapidamente se torna o maior motivo de falatório no site de coscuvilhice do Upper East Side, escrito pela Gossip Girl, uma personagem com identidade incógnita. Lido por todos os membros do lado rico da cidade - e não só -, o site questiona as razões que levaram Serena a ausentar-se durante quase um ano. Este regresso é também questionado por Blair, a sua melhor amiga, que não sabia do paradeiro de Serena e que também exige justificações sobre o porquê do seu desaparecimento.


Não sei por onde começar com esta série, porque não consigo encontrar realmente nada de muito bom para dizer. Se na primeira temporada ainda conseguia manter-me presa por todo o drama circundante naturalmente às personagens, nas seguintes temporadas esse drama tornou-se excessivo e, francamente, demasiado repetitivo. Para mim esta série tem um grande defeito - não existe nenhuma personagem com a qual me consiga identificar. Seja pela atitude de nada os afectar ou pelo facto de acharem que por serem riquinhos são melhores que todos os outros, não consigo relacionar-me com as mesmas da forma que quereria e desejaria.

As personagens são bastante irritantes e inconstantes. Não sabem o que querem tanto a nível amoroso como a nível pessoal e interpessoal. Seja pela inconstância de Serena, que num dia namora com um e no dia a seguir namora com o vizinho do lado, pela vontade de Jenny de pertencer ao lado rico da cidade a todo o custo ou pela forma como Chuck reage quando colocado perante um problema, começamos a questionar a forma como as personagens foram construídas e encontramos incongruências claras no guião. Além disso, todos os problemas que estas têm são um tanto ou quanto irreais, o que torna a série um pouco aborrecida de ver porque seria pouco provável que algo do género acontecesse na realidade. Afinal de contas, a probabilidade de eu apanhar o meu professor envolvido num escândalo sexual ou conseguir chantagear pessoas influentes no mundo dos negócios é mínima, seja pela minha tenra idade ou por não ser assim tão simples desvendar um segredo dessa dimensão. Tendo em conta que esta é suposto ser uma série realista, perdemos um pouco o interesse na mesma pelas intrigas principais serem, tal como as personagens, mal construídas.

Como se a narrativa e as personagens já não bastassem, também a escolha de elenco não foi a melhor.  Os atores que interpretam as personagens principais desta série são medíocres e sem grande interesse a nível de performance em cena. Destaca-se a Leighton Meester, atriz que interpreta Blair, que dá à sua personagem a intensidade necessária para criar uma imagem de menina mimada, capaz de fazer tudo por amor e com um certo mistério por trás da sua capa de imbatível. Torna-se refrescante quando comparada com as restantes atuações dignas dos Morangos com Açúcar. No entanto, e depois de tecer tão maus comentários, tenho que elogiar a banda sonora da série, que vai mostrando umas belas opções musicais - Bon Iver, Feist ou Coldplay são algumas das bandas que podemos ouvir ao longo da trama -, e os figurinos das personagens que são de morrer por. Não posso deixar de fazer o reparo de que esta é uma série juvenil e, como tal, pode ser por isso que já não desperte em mim a emoção que outrora poderia despertar. Na minha opinião, e se gostam de séries juvenis, existem opções muito melhores - sugiro Skins, Skam, sobre a qual podem ler AQUI, My Mad Fat Diary ou até Girls - sendo esta um pouco mais pesada -, sobre a qual podem ler AQUI.

"You know you love me. Xoxo Gossip Girl"

Gostam de séries mais juvenis? Conhecem ou viam Gossip Girl?

terça-feira, 16 de outubro de 2018

A primeira vez que fui à Ópera

A minha bucket list para Erasmus está em constante crescimento à medida que surgem novas oportunidades, novas ideias e que o espírito aventureiro dentro de mim cresce sem fronteiras. Mas existe algo que esteve desde o primeiro momento na minha lista e que sabia que tinha que acontecer, desse por onde desse, e isso finalmente aconteceu. O título da publicação é bastante explícito - fui, pela primeira vez, assistir a uma ópera.

Se já tiveram curiosidade em ler a página sobre mim, sabem que eu sou uma eterna apaixonada pelas artes performativas, sendo elas de qualquer forma. Sendo a ópera uma arte tão caracteristicamente italiana, fazia todo sentido assistir à mesma na cidade que me acolherá durante 6 meses da minha vida. O problema que se avizinhava eram os bilhetes uma vez que, por ser um tipo de espetáculo com uma procura muito elevada, os preços disparam até quantias astronómicas. Como sabia disto, procurei por um teatro mais simples e por uma ópera menos conhecida e estava pronta para dar 50 euros pelos bilhetes quando recebo a mais agradável surpresa - a Erasmus Students Network convidava todos os alunos a juntarem-se a eles para assistir a La Finta Giardiniera no emblemático Teatro alla Scala por apenas 12 euros.

O Teatro alla Scala é o teatro de ópera principal de Milão e também o mais emblemático, constituindo uma das principais atrações turísticas da cidade. O seu interior é de cortar a respiração, com uma sala de espetáculos enorme e de uma beleza incomparável, uma acústica incrível e trabalhada de uma forma sublime. Não consigo descrever o que senti quando entrei no último andar com lugares para a ópera e olhei para toda a sala no seu esplendor. As luzes todas acesas, as pessoas a encaminharem-se para os seus lugares com o seu ar emproado, vestidas a rigor para um espetáculo que criara muitas expectativas no coração de todos.


A ópera que estava prestes a assistir foi composta por o conhecido compositor Wolfgang Amadeus Mozart e narra a história de um casal apaixonado que, no início, é separado por uma acção impulsiva de um deles mas que, pelas circunstâncias da vida, vê o seu destino a cruzar-se novamente. Conseguimos, assim, acompanhar o desenvolvimento da romântica história destas personagens, em paralelo com as personagens secundárias de toda a trama. No entanto, e tal como é característico de uma história lírica, todo o enredo é cantado de forma exagerada, dramatizada e com um impacto fortemente acentuado, acompanhado por uma orquestra ao vivo que dá vida às partituras clássicas, também elas dramáticas e que guiam a intenção da ação da personagem.

A experiência é de outro mundo. Apesar dos contratempos que apanhei nesta ida à ópera - a soprano principal estava doente e, portanto, foi substituída por outra voz, compreendendo-se perfeitamente que a atriz em palco estava a fazer playback durante a sua atuação -, e dos lugares em que fiquei não serem os melhores - ficando nos lugares mais acima e mais atrás, pelo preço reduzido, acabei por passar grande parte do espetáculo de pé para conseguir ver todas as dinâmicas que desenrolavam em palco -, foi incrível ouvir o primeiro soar dos instrumentos musicais, a primeira canção, o primeiro tenor a cantar em plenos pulmões para uma plateia que, no fim de cada ação, aplaudia fervorosamente e sentir os arrepios que me corriam pela espinha de cada vez que uma nota mais aguda era alcançada sem o menor esforço.

A duração da mesma foram 4 horas, tendo um intervalo a meio de 30 minutos, tornando-se menos cansativo. Os figurinos estavam conseguidos na perfeição e os cenários eram do mais realista que já vi - até as janelas abriam nas paredes. De realçar que, no final da ópera, o cenário acaba completamente destruído, o que exige uma constante manutenção do mesmo, tornando-o ainda mais especial. A movimentação em palco e a expressividade teatral dos atores que deram vida às 7 personagens em palco também deve ser elogiada, destacando Serpetta, a criada espevitada, que mostrava uma energia acima da média em palco - talvez pela personagem pouco convencional. E, apesar de não entender a maior parte da história em si ao longo da ópera, é impossível não nos deixarmos emocionar pela beleza que é esta arte e pela oportunidade que temos em poder presenciá-la. Se alguma vez tiverem essa oportunidade, vão à ópera. Não se irão, com certeza, arrepender.

Já alguma vez assistiram a uma ópera? Têm curiosidade?

sábado, 13 de outubro de 2018

12 Horas em Torino

Foi simples para mim decidir o primeiro destino ao qual iria a solo. A cidade de Torino pareceu-me lógica desde o primeiro momento em que comecei a traçar itinerários pela sua notoriedade, pela proximidade a Milão e pela quantidade enorme de atividades - e bastante variadas - que a mesma oferecia - desde museus a parques, passando pelas ruas tão características.

Foi assim que, pelas 7 da manhã do último fim-de-semana de Setembro, me pus a caminho de Torino com ajuda da Flixbus. Cheguei ao destino duas horas depois, ainda com algum sono mas cheia de vontade de conhecer a cidade. Decidi que a primeira coisa que queria visitar era o Musei Reali di Torino, ao qual pertence o Palazzo Reale, por ser um ponto mais turístico e de forma a evitar grandes filas na bilheteira. Dirigi-me, portanto, e um pouco às cegas - fui parar a uma das 4 feiras que vi ao todo durante a minha passagem pela cidade nesta tentativa de não recorrer ao telemóvel - à Piazza Castello, a praça onde encontramos a maioria dos museus da cidade, num conjunto de edifícios em tons claros.

Aqui adquiri o mapa da cidade com todos os pontos principais da cidade assinalados e confirmei a vontade que tinha de visitar o interior do Palazzo Reale. Sorte a minha do museu estar em celebrações e, portanto, paguei metade do bilhete - ou seja, apenas 3 euros. O bilhete na totalidade é 12 euros, havendo descontos para idosos, estudantes ou crianças e incluí-a a visita ao Palácio, à Cappella della Sacra Sindone, à Armeria Reale e a uma parte do Giardini Reali. Dizer-vos que estes 3 euros fizeram-se valer é pouco.


Tenho que admitir que as minhas expectativas já estavam elevadas após ter visto algumas fotografias do palácio pelo Instagram. Seria de esperar que essas expectativas fossem igualadas mas nunca superadas. E tal aconteceu. Com uma imensidão e uma grandeza ímpares, o Palácio Real é de cortar a respiração a cada sala distinta por onde passamos, desde o momento em que subimos as primeiras escadas, ornamentadas num estilo barroco e com frescos pelos tectos até aos jardins, onde terminamos o percurso, com um aspecto cuidado e com uma perfeita simetria.

Somos conduzidos, no interior do Palácio, a ver os aposentos do rei e da rainha, as salas de convívio, a sala do trono, a armaria - recheada de diferentes armaduras pertencentes aos diferentes estatutos sociais e os respetivos corceis, bem como diversos exemplos de armas utilizadas ao longo dos anos nas batalhas em nome da monarquia -, a sala de jantar ou a sala chinesa. Todas elas frescos incríveis desenhados nos tetos, paredes extremamente detalhadas, candeeiros de tecto do mais bonito que já vi e com semelhanças entre si, constituindo uma bonita harmonia entre as diversas salas que podemos visitar.

No final deste percurso, somos convidados a visitar a Cappella della Sacra Sindone, uma capela católica de estilo barroco extremamente trabalhada - como o estilo exige -, com algumas esculturas em mármore e em tons monocromáticos. Apesar de ser bastante bonita, deixa a desejar depois de toda a riqueza que presenciamos ao longo do interior do palácio. A mesma reação se coloca para os jardins reais que, apesar de terem imenso potencial e terem um espaço muito bonito e bem verdinho, acabam por perder um pouco porque não serem explorados da melhor forma. No entanto, penso que estavam em obras e, portanto, pode ser que seja uma das renovações à qual eles tomarão atenção.


Duas horas e poucos minutos depois, saí do Palazzo Reale com um lugar especial para este local no meu coração e rumei em direção à Porta Palatina, um antigo portão romano que permitia a passagem entre o lado norte da cidade e o centro da mesma. A imponência desta estrutura, toda em tijolo vermelho, constitui um marco histórico da cidade e, hoje em dia, serve como local de convívio para grupos de amigos nos jardins circundantes. Passada a porta, e algumas ruas depois, damos de caras com a Piazza della Republica que, nesse dia, estava cheia de barracas de feirantes - estilo feira de Carcavelos! Como devem perceber, não consegui ver quase nada da zona da praça mas vi alguns negócios nas várias barracas - não estivesse eu em contenção de custos e tinha voltado com um par de sapatos novos para casa -, mas deu para perceber que é uma das zonas mais citadinas da cidade, virada para o comércio local.

Posto isto, estava na hora de me dirigir ao segundo e último museu que sabia que tinha que visitar. Localizado no Mole Antonelliana, o Museu Nacional do Cinema despertou a minha atenção tanto pela temática que me interessa como pelo próprio monumento que, tal como o nome indica, é de dimensões extraordinárias e é observável de muitos dos pontos da cidade. Este museu mostra-nos o desenvolvimento e criação do cinema, a física por detrás do mesmo e a sua história. Com imensas salas diferentes adequadas a cada era do cinema, imensas atividades interativas com o utilizador, uma zona dedicada em exclusivo ao desenvolvimento sonoro dos filmes onde podemos deitar-nos e relaxar ao som das bandas sonoras mais badaladas e um hall of fame com alguns dos melhores clássicos do cinema, vale a pena visitar este museu que nos leva às diferentes décadas do cinema e nos faz palpitar o coração com amor pela sétima arte.


Seguiu-se a Via Po, com as suas arcadas tão características desta cidade e as lojas locais que termina na enorme Piazza Vittorio Veneto que, tal como a maior parte das casas ao longo de toda a cidade, tem casas com cores muito suaves e neutras como o branco e o bege, não sendo, de todo, característico das outras cidades italianas que já visitei. Com imensas esplanadas, lembrou-me ligeiramente o Terreiro do Paço - mas em qualidade inferior, claro - e deixou-me com saudades da minha terra. No final da praça e sobre o rio Po encontra-se a ponte Vittorio Emanuele I que liga os dois lados da cidade.

Se o lado histórico da cidade é plano, o mesmo não se pode dizer sobre o lado oposto da mesma. Cheio de grandes montes e ruelas com uma elevada inclinação, é no Monte dei Cappuccini que podemos ter uma vista abrangente sobre a cidade de Torino, caso não queiram visitar o Museu do Cinema. Infelizmente, não tive tempo de subir a esse monte mas consegui entrar na Gran Madre di Dio, uma igreja com uma fachada imponente mas que, no seu interior, se apresenta bastante simples. O mais bonito desta igreja é a vista que apresenta sobre a praça que deixámos do outro lado do rio e sobre a cidade - ainda que reduzida, por não ser um ponto muito alto.


A passagem para o lado de lá do rio não foi a mais proveitosa e, portanto, decidi seguir ao longo da margem do rio em direção a uma segunda ponte para passar para o local que mais ansiei durante todo o dia - o Parco del Valentino. Se vocês me conhecem, sabem que eu adoro a natureza e adoro pequenos parques para passear, relaxar um pouco e passar algum tempo a apreciar a vida. Por isso, fazia todo o sentido para mim priorizar o tempo neste parque e, agora que passou, agradeço que o tenha feito. O parque é enorme e no dia de sol que apanhei pude presenciar a verdadeira essência do mesmo - os jardins cheios de pessoas a relaxar, a conviver e a petiscar. Gargalhadas no ar, imensos cães a passear e uma paz indescritível. Aproveitei para me sentar um bocadinho, comer alguma coisa, ver algumas fotografias que tinha tirado e relaxar, também.

Neste parque encontram ainda o Orto Botanico e o Castello del Valentino, um ao lado do outro e ambos com entrada paga, o que fez com que não entrasse nos mesmos. No entanto, sinto que não foi uma perda significativa, uma vez que o tamanho do jardim botânico me pareceu bastante reduzido e sem grande variedade a nível de espécies de plantas e o castelo se encontrava encerrado - ou pelo menos assim o aparentava. Aquilo que eu mais queria ver no parque era o Borgo Medievale, uma vila medieval à beira rio que, em todas as pesquisas que fiz, era altamente aclamada. O problema? Não fazia ideia em que zona do parque se encontrava. Depois de 3 voltas àquilo que eu pensava ser o comprimento do parque sem encontrar a vila e já com vontade de desistir, fiz o esforço de dar uma última volta pelo parque e ainda bem que o fiz - encontrei o tão aguardado reino medieval. Com uma área muito pequenina e com lojas artesanais no interior, teletransporta-nos por minutos para uma era diferente e desperta-nos a vontade de conhecer mais locais assim.


Pensei em terminar esta jornada com uma bebida típica de Torin - um Bicerin. Feito de café, chocolate e natas, é uma bebida muito aconchegante porque é servida a escaldar e serve perfeitamente como lanche. Gostava de me lembrar do nome do café onde bebi o bicerin, porque tanto o espaço como o serviço eram incríveis mas a memória de Dory não o permite! Com isto, faltava cerca de 1 hora e meia para o meu autocarro partir e pouco mais para visitar. Decidi, portanto, dar uma olhadela à zona histórica da cidade, passando por dois locais onde ainda não tinha passado. As ruas estavam cheias de pessoas, turistas e italianos que, com o entardecer, procuravam regressar às suas casas e as ruas estavam repletas de artistas de rua. Confesso que o encanto foi diferente daquele que senti logo de manhã, quando por lá passei pela primeira vez. Ver o pôr-do-sol dourado sob os edifícios brancos, ouvir a música ambiente e a agitação da cidade deram uma sensação acolhedora àquelas ruas.

Começando pela Piazza San Carlo, uma praça pedestre com dimensões semelhantes à Piazza Castello mas com um encanto diferente. Todas as lojas de luxo que podemos encontrar ao pé das arcadas. A contrastar com os edifícios desta praça, umas ruas abaixo, encontramos o Palazzo Carignano, um palácio todo em tijolo vermelho trabalhado de uma forma sublime e que se destaca dos demais edifícios, apesar de se encontrar numa praça muito recatada. Foi aqui que dei por encerrada esta jornada e me pus a caminho da estação de autocarros, por entre cantos e acordes de guitarra dos artistas, para voltar a Milão com o coração recheado de memórias boas.


Confesso que sinto que não ficou nada por ver. Apesar de ter gostado de ter mais tempo para visitar mais alguns dos muitos museus que a cidade tem para oferecer - o Museo Egizio ou o Museu do Automóvel -, sinto que vi aqueles com os quais me identificava mais e que faziam mais sentido, tendo em conta a estadia curta. É uma cidade que, apesar de bastante grande, se vê relativamente bem num dia inteiro, desde que mantenham um bom ritmo entre exposições e não percam tempo com pormenores. Aliás, admito que até os meus pés sentiram que não ficou nada por ver, uma vez que, no regresso a Milão, teimaram em não entrar nos sapatos.

Ficaram curiosos com a cidade? Qual foi a atração que mais vos chamou a atenção?
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