terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

AQUILO QUE APRENDI ENQUANTO ESCUTEIRA

No passado fim-de-semana pus mochilas às costas e rumei a mais um acampamento de escuteiros para um sítio gelado e que fez com que pensasse na minha vida, nos planos que tenho traçados para o próximo ano e no quão frios os meus pés estavam. E, depois de voltar desta grande atividade, sabia que a próxima publicação que escrevesse teria que ser sobre este grande movimento que é o escutismo. Esta é uma publicação que tenho pensada há algum tempo, mas os dias passavam-se e as palavras não me saíam, porque não conseguia - e ainda não consigo com grande facilidade - expressar aquilo que sinto em relação ao meu percurso enquanto escuteira e aos ensinamentos que este movimento me trouxe.

Sei que existe ainda imenso preconceito da população uma vez que nós, escuteiros, somos vistos como as pessoas que utilizam meias até ao joelhos com pompons e que ajudam as velhinhas a atravessar a estrada. E existe muita gente que, tal como o sketch dos Gato Fedorento dizia, preferiam que os filhos andassem na droga a serem escuteiros. Foi por isso que senti que era importante homenagear um movimento que me é tão querido, que me ensinou e me moldou de uma forma inexplicável e que merece muito mais do que uma classificação tão generalista e sem qualquer fundamento. Ajudamos velhinhas a atravessar a estrada, sim, mas somos muito mais do que isso.


Comecei a minha caminhada nos escuteiros com 5 anos, através de uns parentes que também frequentavam os escuteiros e que incentivaram os meus pais a inscrever-me. Com uns calções 5 tamanhos acima do meu e uma mochila tão grande que parecia que não existia Marli, mas sim uma mochila com pernas, rumei à minha primeira atividade enquanto lobita num nervosismo tal e numa ansiedade grande por ser separada dos meus pais durante uma noite inteira. Mal sabia eu que, passados tantos anos, ainda sentiria a mesma ansiedade e nervosismo por rumar a uma atividade nova e diferente.

Nesta fase tão tenra da minha idade esta vivência foi essencial para que me desprendesse da asa dos meus pais e ganhasse as minhas próprias asas, ainda que pequeninas. Tornou-me uma criança mais dada, menos medrosa - embora ainda berre de cada vez que vejo um bicho maior do que o habitual - e muito mais independente, uma vez que lá não tinha o colo da minha mãe para correr sempre que fosse preciso. Levou-me a enfrentar os meus maiores medos e a batê-los.

Foi nos exploradores que aprendi que conseguimos fazer mais do que aquilo que pensamos conseguir. Na IIª secção do movimento escutista, passamos por algumas experiências muito diferentes de até então e aprendemos diversas coisas que nos desafiam - os nós botão em cruz, fazer uma mesa desde raiz, caminhar quilómetros, dormirmos ao relento ou orientarmo-nos sozinhos. Isto leva a que sejamos confrontados constantemente com coisas que, por vezes, nos ultrapassam enquanto pré-adolescentes que somos na altura.

Nunca me esqueço de uma atividade em que o meu chefe da altura teve que carregar a minha mochila porque eu pensava que não iria conseguir acabar a caminhada que estávamos a fazer - 20 quilómetros para uma rapariga cheinha não são assim tão fáceis, verdade seja dita. Mas a vergonha que senti nesse momento fez com que fortalecesse o meu carácter e levou a que nunca mais ninguém tivesse que me carregar em momento algum, apesar das adversidades. Porque se os outros conseguiam fazê-lo, porque é que não haveria de conseguir eu também?

A minha secção do coração foram os pioneiros porque foi nesta que eu aprendi que não existe ninguém mais forte do que nós próprios, basta acreditarmos. Apesar de ter sido confrontada com a possibilidade de ser guia de uma equipa em todas as secções por que passei, neste caso foi diferente. Sentia que era muito nova para tal responsabilidade e foi a minha chefe de secção que me abriu os olhos e fez com que sentisse que tinha valor para tal. E guardo esse voto de confiança comigo desde esse momento até ao momento em que passei pela mesma situação mas numa secção diferente, em que o voto de confiança foi reforçado. Não existe nada melhor do que alguém confiar em nós com algo que nós próprios não confiaríamos. Foi aqui que aprendi que tenho valor e que aquilo que faço, por mínimo que pareça aos meus olhos, pode fazer uma diferença gigante aos olhos de outra pessoa.

Esta secção ensinou-me que um bom espírito de equipa é essencial para um bom trabalho. E, a partir do momento em que atingimos uma harmonia com aqueles que nos rodeiam, é impossível algo correr mal - porque, mesmo correndo, temos sempre o apoio da nossa equipa. Aqui aprendi a respeitar o próximo, a ouvir a opinião de todos e a trabalhar em equipa.

A fase mais difícil da minha caminhada enquanto escuteira passou-se nos caminheiros, em que existiram diversas mudanças na minha vida - a mudança de cidade e o início de um novo percurso escolar num sítio onde não conhecia ninguém - que levaram a que a minha personalidade se alterasse ligeiramente - amadurecesse, como o vinho do Porto - e, uma vez que a secção nova não me estava a entusiasmar, estive presa apenas por um fio a este movimento. Mas fui-me mantendo, pelas amizades que tinha construído e pelo bichinho que ainda vivia dentro de mim e que adorava toda a mística escutista e isto leva-nos a uma das maiores lições que o escutismo me deu - nem sempre as coisas são boas, mas existe sempre algo melhor em frente. Não desisti, continuei no movimento e hoje, 2 anos depois desses meses estou extremamente motivada com esta secção e com tudo que ela me tem para oferecer. A nossa vida é um ciclo constante e nem tudo nos entusiasma sempre. Temos que aprender a gerir as nossas emoções e a pensar racionalmente - se algo nos fez tão feliz como este movimento me fez a mim, continuará certamente a fazê-lo, apesar da fase complicada que pode estar a passar.


A característica que mais valorizo em mim mesma e que foi fomentada ao longo de 15 anos enquanto escuteira por este bonito movimento é de que devemos estar sempre prontos para auxiliar o mais próximo. Tal como o nosso fundador, Baden Powell, sempre nos ensinou, temos que deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos. E é com isto em mente que procuro sempre dar mais do que aquilo que tenho, sem pedir nada mais do que um sorriso em troca. A sensação de bem estar que temos de cada vez que ajudamos outra pessoa, de dever cumprido, é impagável.

Por fim, mas aquilo que é mais importante no meio de todos os ensinamentos e vivências que retiro desta enorme família - as boas amizades sobrevivem a grandes distâncias. Fiz grandes amizades neste movimento, amizades que levo certamente para a vida. Porque, apesar de não estarmos juntos todos os dias ou até todos os meses, quando nos vemos é como se não tivesse existido tempo nenhum entre os encontros. A conversa retoma, as gargalhadas surgem e o à-vontade mantém-se. E isto é do mais bonito e mais puro que podia haver.

A minha vivência está longe de acabar e ainda tenho muito a aprender com o movimento que inspirou esta publicação mas a verdade é que o escutismo ajudou a moldar aquilo que eu sou hoje em dia. Tornou-me mais solidária, mais altruísta, mais desinibida - dentro dos possíveis, claro -, mais descontraída e despreocupada com tudo - viva o cheiro a cavalo depois de um dia de caminhada, o pó na cara e o arroz com caruma - e fez com que eu valorize tudo aquilo que tenho - um bom banho depois de uma atividade, uma tenda que não se desmonta sozinha, uma noite bem dormida num terreno duro e a oportunidade de vivenciar tudo isto. Afinal é verdade aquilo que se diz: uma vez escuteira, para sempre escuteira.

Vocês são escuteiros?

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

TORNA O TEU QUARTO DA FACULDADE MAIS TU

Setembro. Um novo ano escolar a começar e uma nova vida a desenrolar-se. Não sei quanto a vocês, mas toda a minha mudança para a faculdade foi complicada de gerir porque passei de ter tudo feito para mim a ter que fazer tudo dentro da minha nova casa - nomeadamente comida a fazer, roupa a lavar e casa para limpar. Essa mudança sente-se mais acentuadamente na divisão que nos é mais característica - o nosso quarto.

Todos podemos concordar que o nosso quarto é o nosso espaço numa casa universitária, em que partilhamos casa com algumas colegas e, portanto, convém que nos identifiquemos com ele. Mas, infelizmente, não podemos fazer grandes mudanças no mesmo uma vez que é um quarto volátil e nada nos garante que ficaremos com ele durante muito tempo. Apesar disto, existem diversas formas de personalizarmos o nosso quarto sem gastarmos imenso dinheiro e que o tornam mais nossos.

Hang stuff in your wall!
Quando éramos mais pequenos gostávamos de desenhar em todas as paredes para que elas deixassem de ser uma tela branca e passassem a ser um espaço criativo e único da vossa casa. Hoje em dia, queremos a mesma coisa. Não, não vos encorajo a pintarem as vossas paredes - acho que o senhorio não iria gostar - mas encorajo-vos a pendurarem nas vossas paredes tudo aquilo que vos deixa feliz. Seja bilhetes de concertos, frases que vos inspiram, desenhos que gostem ou fotografias das vossas pessoas favoritas neste mundo, as hipóteses são infinitas para uma parede que não o é.


Change the sheets!
Amarelos, rosas, com flores ou com padrões excêntricos, aqui vale tudo. Por mim falo! A capa do meu edredão tem um estampado gigante de abelhas com flores, extremamente colorido e, verdade seja dita, muito eu e é sem dúvida aquilo que mais se destaca na decoração do meu quarto pelo padrão vivo. Podem, tal como eu fiz, investir numa capa de edredão diferente do comum e mudarem um pouco o vosso quarto de acordo com a mesma. É das coisas mais simples, mais económicas e que funciona melhor.

Lights, Camera & Focus
Desde que esta moda das luzes de Natal penduradas por todos os cantos da nossa casa chegou que eu não me consigo desfazer dela. Dá um ar tão mimoso, acolhedor e confortável ao nosso quarto apenas com o clicar de um botão. Juntamente com o nosso álbum favorito e um pijama quentinho, cria-se um ambiente relaxado que deixa qualquer pessoa pronta para o dia que está para começar - caso seja de manhã - ou para o seguinte - caso seja de noite. Podem encontrar opções destas luzes muito em conta na Primark, com inúmeras formas e feitios.


Pillowtalk & Chill
Malta, as almofadas e as mantas são as vossas melhores amigas. À semelhança do edredão, dão um toque muito bonito e único ao nosso quarto porque, para além de o decorarem, têm inúmeras utilidades: o amigo vem dormir lá a casa e não têm um edredão extra? Dão-lhe uma mantinha; estão desconfortáveis na vossa cadeira da secretária? Vão roubar uma almofada à vossa cama e tornem o espaço perfeito para estudar. Há lá coisa melhor que acessórios decorativos que são bonitos e úteis?

Fill your shelf with memories!
Isto é algo muito simples mas que fica muito mas muito giro. As prateleiras podem ser recheadas com aquilo que nós quisermos e, se a maior parte delas fica cheia de livros ou dossiers - ai, o que a vida de estudante nos faz! - existe sempre uma ou duas que ficam livres para aquilo que vocês pretenderem. Aproveitem essas prateleiras para decorarem da forma que queiram. Misturem jarros, flores, velas, a lente da vossa máquina ou mesmo acessórios de escritório nas mesmas de forma a criar um ambiente descontraído mas que reflita os vossos gostos.


Expose the bling
Esta dica final é mais virada para as meninas que utilizam alguns acessórios - sejam eles óculos de sol, brincos ou chapéus. Já fiz uma publicação dedicada exclusivamente a como podem dispor os vossos acessórios nos vossos quartos - podem ver a publicação AQUI - mas não me canso de repetir que é sempre uma maneira óptima de tornarem o vosso quarto mais vosso, para além de se tornar muito mais prático quando quiserem utilizá-los.

O que é que vocês fizeram para tornarem o vosso quarto mais vosso?

sábado, 20 de janeiro de 2018

MUSIC ♪ AFTER LAUGHTER

A banda mais tocada no meu Spotify durante o ano de 2017 foram os Paramore, uma banda conhecida por introduzir a geração dos anos 90 a um estilo mais rock e alternativo. Não sei se se identificam com aquilo que disse mas, para mim, esta banda foi uma das que marcou a minha transição entre a música pop, com os batidos Chris Brown, Beyoncé e o pouco provável kizomba - sim, estes eram os estilos musicais que podiam encontrar no meu MP3 quando tinha 10 anos - para um estilo de música mais alternativo e que se assemelha muito com aquilo que eu ouço hoje em dia.

A sua mexida Misery Bussiness ou as suas baladas The Only Exception e Decode - conhecida pela série de filmes Twilight, que nunca gostei - são canções que toda a gente reconhece imediatamente e consegue cantarolar e que tornaram os Paramore a banda global que, hoje em dia, é reconhecida em todos os cantos do mundo como uma banda de rock alternativo.


Quando lançaram o primeiro single do seu novo álbum, Hard Times, estranhei bastante. Estranhei a nova sonoridade desta faixa, uma mistura do clássico rock que eles sempre nos apresentaram nos seus álbums com um techno-pop que era, simultaneamente, uma lufada de ar fresco e um throwback aos anos 70 em que este estilo de música era mais incidente. Mas, tal como Pessoa sempre disse sabiamente, primeiro estranha-se e depois entranha-se

Portanto, e quando saiu o álbum inteiro, soube que tinha que o ouvir de imediato. E acho que o facto de terem sido os meus artistas mais ouvidos no Spotify explicita muito bem a minha reação às 12 faixas que compõem este quinto álbum dos Paramore. After Laughter, o novo álbum, pode ser descrito como boa onda na sonoridade, forte nas letras. Contrariamente daquilo que esta banda nos tem habituado, este álbum é uma fusão de estilos distintos tal como o single nos fez prever. Um álbum que pode ser resumido a uma espécie de pop-rock dos anos 80, tal como foi classicado pelos críticos. Utilizam imenso o sintetizador e as batidas bastante marcadas, características deste género musical.

Com letras excelentes e carregadas de sentimento, como sempre nos habituaram e uma nova imagem que condiz na perfeição com o estilo novo que nos apresentam. As minhas favoritas? Fake Happy, uma canção que nos lembra um bocadinho as músicas mais antigas da banda e que tem uma letra muito poderosa, Caught in the Middle, com uma linha instrumental bastante forte e, por fim, 26, a canção mais calma e emocional do álbum. Atenção, estas escolhas não foram muito fáceis e isto não significa, de todo, que não goste das outras - porque tenho ouvido TODAS em replay.




As músicas que vos deixem acima são os singles deste álbum e os respectivos videoclips - que estão esteticamente apelativos, cativantes e com uma onda muito boa. Na minha opinião este álbum marca a mudança da banda, o crescimento musical da mesma e parece-me que este é o caminho - muito feliz, se o puder dizer - para o qual a banda caminha em próximos projectos.

Gostam de Paramore? Conhecem este álbum?

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

SÉRIES // BREAKING BAD

Sim, eu sei. Cheguei bastante tarde à festa. Sou das poucas pessoas no meu grupo de amigos que ainda não viu esta série até ao fim e, aos poucos, a vergonha estava a consumir-me. Não por falta de vontade, de todo, até porque já tinha começado a ver esta série há alguns anos atrás e parei porque estava a gostar tanto que não queria que ela acabasse - tenho esse defeito, quero sempre tornar uma experiência infinita. Estou a falar daquela que é classificada por muitos como uma das melhores séries dos últimos tempos - Breaking Bad

Esta série conta a história de Walter White, um professor de química com 50 anos que se encontra numa situação financeira pouco estável e que, depois de se sentir mal durante alguns dias, descobre que tem cancro no pulmão num estado muito avançado, sendo infíma a probabilidade de recuperação. Decide, então, começar a cozinhar metanfetaminas com ajuda do seu antigo aluno Jesse Pinkman, de forma a providenciar sustento à sua família para quando não se encontrar presente.


Já sabia o que me esperava, uma vez que já tinha visto 3 das 5 temporadas disponíveis desta série. No entanto, ainda existia um receio de que todo o meu entusiasmo anterior tivesse sido fruto da tenra idade que tinha. Todas as minhas dúvidas foram apagadas quando assisti à primeira temporada desta série - é uma obra-prima. A forma como o enredo se desenrola é soberba, sendo um exemplo de uma situação de causa-efeito. Mas a inexperiência do Walter no negócio da droga e o lado cómico do Jesse tornam uma série que poderia ser bastante pesada numa série com o seu quê de dramatismo mas bastante agradável de ver. E sim, tem as suas cenas brutais, impulsivas e que nos deixam a questionar este grande mundo que é o mundo da droga. 

As personagens fazem-nos sentir um turbilhão de emoções distintas. Comecei por sentir compaixão pelo Walter mas, com o desenrolar da trama, essa compaixão transformou-se num desprezo enorme por aquilo que a personagem transmite. Já com a sua mulher, a Skyler, sempre tive imensos problemas e nunca consegui criar uma ligação com a personagem por não estar de acordo com os seus valores. No entanto, tenho um carinho enorme pelo Jesse Pinkman por tudo aquilo que já passou e pela pessoa que é, apesar das circunstâncias - e de certos vícios. Quanto às outras personagens não tão principais, destaco o Hank e a Marie, que são personagens muito amigáveis e bastante relacionáveis - mais até que as próprias personagens principais -, sendo semelhantes ao típico casal amigo dos nossos pais.

O enredo está incrível, os cenários e os figurinos condizem na perfeição com as diferentes personalidades das personagens e a forma como esta série é filmada é especialmente de louvar. É de louvar, também, o elenco incrível que nem por um segundo me deixou a questionar as suas capacidades de representação - e olhem que eu sou um bocadinho exigente. Um desenrolar na ação um tanto ou quanto lento, que nos dá bem tempo de processarmos cada pormenor e cada defeito das personagens e apreciarmos o quão bem pensada esta série está. É uma série na qual estão sempre a decorrer acontecimentos novos e pequenos twists na narrativa mas que, dada a subtileza dos mesmos, não nos deixa com mini ataques-cardíacos constantes. Uma série que recomendo a cento e vinte por cento de tão boa que é. 

"I am not in danger, Skyler. I am the danger. A guy opens his door and gets shot, and you think that of me? No. I am the one who knocks."

Já viram Breaking Bad? O que acharam?

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

UM BICHO CHAMADO PROCRASTINAÇÃO

Tal como disse na publicação em que me dei a conhecer um bocadinho mais a vocês, sou uma campeã da procrastinação. Mas o que é isto da procrastinação? Procrastinar é adiar aquilo que temos para fazer indefinidamente em função de outra qualquer atividade que não exija grande esforço intelectual. Ou seja, é a arte de adiar qualquer tipo de compromisso para ter algum tempo "descansada".


Não é que eu queira procrastinar. Aliás, estou constantemente a fazer planos, listas, a agendar tudo ao mais infimo pormenor para deixar de ser assim. Mas existe uma voz na minha cabeça que me impede de trabalhar e me descontrai sem que eu a chame. Ainda tens tempo, diz ela regularmente. E eu acredito nesta voz. Acredito e adio as minhas tarefas um dia. E outro. E outro. Até que chega aos dias finais de entrega de projetos, de escrita de publicações ou de planificação de atividades e eu não tenho nada feito. Para este pequeno bichinho na minha cabeça, existe sempre uma desculpa sustentável para eu não estar a fazer o trabalho que devia e estar a fazer literalmente nada. Por já ter trabalhado ontem, por ter tido um dia de aulas cansativo ou por ter fotografado para o blog, tudo é óptimo para alimentar este meu bichinho e o obrigar a atacar-me.

O problema acaba por não ser o facto de eu procrastinar. Até porque, se tivesse apenas a faculdade, ou os escuteiros ou até este blog, acabaria por passar um pouco despercebida. Mas, como tenho imensas atividades simultaneamente que me exigem algum tempo e dedicação, acabo por acumular o quádruplo daquilo que acumularia naturalmente e acaba por se tornar bastante complicado conciliar tudo quando chegam as deadlines. Sim, porque não pensem que a procrastinação ataca apenas quando estamos a fazer algo que não gostamos ou que é mais aborrecido, como por exemplo estudar. Este bichinho ataca em todos os ramos da nossa vida e, mesmo em atividades que nós adoramos fazer e que nos dão gosto, acaba por nos prejudicar. Já decoro o guião ou já procuro uma escola de teatro  em Coimbra foram algumas das coisas que eu já adiei fazer apesar de ser uma apaixonada por teatro, tal como já vos disse.

A verdade é que isto é algo que é muito difícil de controlar e que acaba por prejudicar imenso a minha prestação em todas as atividades a que pertenço. Apesar de acabar por conseguir fazer tudo, sinto que se não desperdiçasse tanto tempo a fazer scroll infinito pela página inicial do facebook ou a começar a ver vídeos de maquilhagem e acabar a ver vídeos sobre homens a experimentarem saltos altos, que seria muito melhor em tudo aquilo que faço - tanto no meu desempenho académico, que está longe de ser bom, até às ausências injustificadas aqui pelo blog.

Isto acaba por causar, sem que eu dê conta instantaneamente, um stress constante, um abaixo da minha auto-estima em grande parte pelos resultados do meu desempenho nas coisas - que, apesar de refletirem o esforço que fiz para as mesmas, não deixam de me deixar bastante triste por ficarem aquém das minhas expectativas - e uma sensação de culpa gigante, até porque, apesar de estar a procrastinar, ainda tenho consciência e sei que o que estou a fazer está errado. No entanto, o meu grilo da consciência acaba por ser um bocadinho mais pequeno que o meu bicho da procrastinação e torna-se indefeso quando os dois se encontram em duelo.

Se acham que isto não faz sentido e que conseguimos controlar bem o nosso bicho da procrastinação, até porque ele parece muito amigável, estão bem enganados porque não é tão fácil quanto isso. Aquilo que descrevi acabou por ser uma forma muito simples de explicar algo que de simples nada tem. Se fosse assim tão simples, já me teria livrado do meu há imenso tempo e estaria agora a ser a pessoa mais trabalhadora de sempre. Mas isto é um traço da minha personalidade e, tal como qualquer defeito que nós desenvolvemos na nossa personalidade, tem que ser tratado com calma e tempo. E, meus amigos, o meu bicho da procrastinação tem todo o tempo do mundo - eu é que não.

O que eu queria com esta publicação era fazer com que as pessoas compreendessem um pouco melhor aquilo que é ser um procrastinador nato e pedir-vos que, se conhecerem alguém que seja assim, os tentem incentivar a trabalharem mais de forma calma e consciente e a serem pessoas mais ativas.

São procrastinadores ou são bastante organizados e focados nos vossos objetivos?

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

OS BATONS MATTE DA THE BODY SHOP

A louca dos batons está de volta para mais alguns estragos e desta vez foi a The Body Shop que causou um arrombo na minha carteira. O grande entusiasmo em torno dos batons Matte Liquid Lip da The Body Shop foi a razão pela qual decidi investir neles, apesar de ser uma miss forreta no que toca a maquilhagem - e em tudo na vida, verdade seja dita. Estes são, possivelmente, o produto de beleza mais caro que possuo e, portanto, a expectativa estava elevada quanto à sua qualidade dos mesmos.


O primeiro baton que comprei desta linha foi o Windsor Rose 032, um bonito nude acastanhado que, inicialmente, me deixou de pé atrás por ser muito claro para o meu tom de pele - característica que os swatches na mão não evidenciaram, infelizmente. Mas, com o tempo, comecei a habituar-me a ele e agora, quando quero algo mais neutro e simples é a este batom que recorro. Com uma excelente pigmentação, este batom fica completamente matte mas não deixa os nossos lábios secos. De utilização confortável e com uma durabilidade bastante boa - não se mantem no sítio se comerem uma grande refeição, mas aguenta bem sem grandes retoques durante uma tarde -, este batom deixou-me fã desta linha e com vontade de comprar mais.


O segundo batom que adquiri da marca foi o Nairobi Camellia 034, um batom rosa-boca, muito discreto e usável. É ligeiramente mais pigmentado que o anterior, deixa os nossos lábios bastante confortáveis e aguenta bem durante o dia, apenas precisando de retoques depois de grandes refeições uma vez que desvanece ligeiramente no centro da nossa boca (como qualquer batom com uma fórmula semelhante). Dos três, este é o meu favorito e aquele que considero mais usável no dia-a-dia porque fica com uma cor super natural nos lábios para qualquer tom de pele mais claro e passa despercebido facilmente.


Por fim, mas não menos importante, o Plum Titanium 018 que me foi oferecido este Natal. Este batom tem uma fórmula diferente dos outros, uma vez que não é classificado como matte pela marca mas como um metal. Com um metálico avermelhado, este é consideravelmente mais seco que os anteriores e, apesar de não ser desconfortável nos lábios, aconselho que utilizem um bocadinho de hidratante antes de colocarem este batom. Tem uma pigmentação incrível, uma cor muito bonita e é muito festivo por ser metálico - ideal para uma festa ou um evento, por exemplo. Tem uma durabilidade melhor que os anteriores, apesar de ser um tom mais escuro, por a fórmula ser consideravelmente mais seca. 



Comprei os primeiros dois batons por 7,20€ - comprei o primeiro num Outlet da marca com 20% de desconto e o segundo na Black Friday, com a mesma percentagem de desconto - mas normalmente o preço de venda é de 9€ por cada unidade.

São fãs de batons matte? Já experimentaram algum da The Body Shop?

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

LITERATURA // LICENCIEI-ME E AGORA?

Existe um receio que tenho associado automaticamente ao fim do meu percurso académico - no meu caso, ao fim do mestrado - que é o passo seguinte. O que fazer quando terminar esta caminhada de 17 longos anos de estudo. Como lidar com a transição entre os meus dias de estudante, em que estudava a toda a hora mas só tinha que satisfazer as minhas próprias exigências, e os meus dias de trabalhadora, em que existem determinados horários a cumprir e metas fixas a atingir, em que estamos sob a alçada de alguém num cargo superior ao nosso. Todo o contexto profissional me assusta muito, confesso, porque sinto que ainda tenho muito para aprender e muito a desenvolver tanto nas competências técnicas como enquanto pessoa.

Portanto, quando fui contactada pela querida Catarina Alves de Sousa, do Joan of July, para receber uma cópia do seu primeiro livro, o Licenciei-me e Agora?, soube que seria a forma ideal de acalmar um pouco este receio que tenho acerca do próximo passo na minha vida e de, também, aprender um pouco de como devo apresentar-me perante a possibilidade de emprego.



Este livro é um guia prático para aquilo que acontece após o término da licenciatura e aquilo que vamos ter que enfrentar aquando o mesmo. Muito simples mas cheio de dicas interessantes não só para aqueles que procuram emprego - por exemplo, como nos posicionarmos numa entrevista de emprego, onde procurar os melhores empregos na nossa área - mas também como quem procura experiências diferentes para além da procura de emprego - escrever para uma revista ou começar um blog são duas das muitas coisas que a Catarina sugere como hobbies. Está impecavelmente dividido em capítulos com cada tema específico - por exemplo, como criares um CV, survival job vs dream job, entre outros - para tornar a leitura e re-leitura o mais simples possível.

Intercalado com todas estas dicas preciosas, podemos acompanhar a experiência na primeira pessoa da Catarina e, também, a de alguns convidados em determinados tópicos específicos. Isto torna toda a leitura mais real e permite-nos comprovar que efetivamente aquilo que a autora recomenda funciona.


Para mim, enquanto aluna de Ciências e, consequentemente, de um curso mais científico, senti que algumas dicas eram mais direcionadas para todos os que são de Línguas ou de cursos mais artísticos. Ainda assim, acho uma leitura importante para desmistificar aquilo que é a entrada para o mundo do trabalho e para nos inspirar a arregaçar as mangas e pôr mãos à obra. Recomendo vivamente a todos aqueles que já saíram da licenciatura e se sentem sem paraquedas ou para aqueles, mesmo licenciados há algum tempo, procuram um novo rumo para a sua vida e um novo emprego.

O livro foi-me enviado pela autora. No entanto, todas as opiniões são pessoais e imparciais.

Já são licenciadas? Qual foi a maior dificuldade pela qual passaram quando saíram da universidade?
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