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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

AQUILO QUE APRENDI ENQUANTO ESCUTEIRA

No passado fim-de-semana pus mochilas às costas e rumei a mais um acampamento de escuteiros para um sítio gelado e que fez com que pensasse na minha vida, nos planos que tenho traçados para o próximo ano e no quão frios os meus pés estavam. E, depois de voltar desta grande atividade, sabia que a próxima publicação que escrevesse teria que ser sobre este grande movimento que é o escutismo. Esta é uma publicação que tenho pensada há algum tempo, mas os dias passavam-se e as palavras não me saíam, porque não conseguia - e ainda não consigo com grande facilidade - expressar aquilo que sinto em relação ao meu percurso enquanto escuteira e aos ensinamentos que este movimento me trouxe.

Sei que existe ainda imenso preconceito da população uma vez que nós, escuteiros, somos vistos como as pessoas que utilizam meias até ao joelhos com pompons e que ajudam as velhinhas a atravessar a estrada. E existe muita gente que, tal como o sketch dos Gato Fedorento dizia, preferiam que os filhos andassem na droga a serem escuteiros. Foi por isso que senti que era importante homenagear um movimento que me é tão querido, que me ensinou e me moldou de uma forma inexplicável e que merece muito mais do que uma classificação tão generalista e sem qualquer fundamento. Ajudamos velhinhas a atravessar a estrada, sim, mas somos muito mais do que isso.


Comecei a minha caminhada nos escuteiros com 5 anos, através de uns parentes que também frequentavam os escuteiros e que incentivaram os meus pais a inscrever-me. Com uns calções 5 tamanhos acima do meu e uma mochila tão grande que parecia que não existia Marli, mas sim uma mochila com pernas, rumei à minha primeira atividade enquanto lobita num nervosismo tal e numa ansiedade grande por ser separada dos meus pais durante uma noite inteira. Mal sabia eu que, passados tantos anos, ainda sentiria a mesma ansiedade e nervosismo por rumar a uma atividade nova e diferente.

Nesta fase tão tenra da minha idade esta vivência foi essencial para que me desprendesse da asa dos meus pais e ganhasse as minhas próprias asas, ainda que pequeninas. Tornou-me uma criança mais dada, menos medrosa - embora ainda berre de cada vez que vejo um bicho maior do que o habitual - e muito mais independente, uma vez que lá não tinha o colo da minha mãe para correr sempre que fosse preciso. Levou-me a enfrentar os meus maiores medos e a batê-los.

Foi nos exploradores que aprendi que conseguimos fazer mais do que aquilo que pensamos conseguir. Na IIª secção do movimento escutista, passamos por algumas experiências muito diferentes de até então e aprendemos diversas coisas que nos desafiam - os nós botão em cruz, fazer uma mesa desde raiz, caminhar quilómetros, dormirmos ao relento ou orientarmo-nos sozinhos. Isto leva a que sejamos confrontados constantemente com coisas que, por vezes, nos ultrapassam enquanto pré-adolescentes que somos na altura.

Nunca me esqueço de uma atividade em que o meu chefe da altura teve que carregar a minha mochila porque eu pensava que não iria conseguir acabar a caminhada que estávamos a fazer - 20 quilómetros para uma rapariga cheinha não são assim tão fáceis, verdade seja dita. Mas a vergonha que senti nesse momento fez com que fortalecesse o meu carácter e levou a que nunca mais ninguém tivesse que me carregar em momento algum, apesar das adversidades. Porque se os outros conseguiam fazê-lo, porque é que não haveria de conseguir eu também?

A minha secção do coração foram os pioneiros porque foi nesta que eu aprendi que não existe ninguém mais forte do que nós próprios, basta acreditarmos. Apesar de ter sido confrontada com a possibilidade de ser guia de uma equipa em todas as secções por que passei, neste caso foi diferente. Sentia que era muito nova para tal responsabilidade e foi a minha chefe de secção que me abriu os olhos e fez com que sentisse que tinha valor para tal. E guardo esse voto de confiança comigo desde esse momento até ao momento em que passei pela mesma situação mas numa secção diferente, em que o voto de confiança foi reforçado. Não existe nada melhor do que alguém confiar em nós com algo que nós próprios não confiaríamos. Foi aqui que aprendi que tenho valor e que aquilo que faço, por mínimo que pareça aos meus olhos, pode fazer uma diferença gigante aos olhos de outra pessoa.

Esta secção ensinou-me que um bom espírito de equipa é essencial para um bom trabalho. E, a partir do momento em que atingimos uma harmonia com aqueles que nos rodeiam, é impossível algo correr mal - porque, mesmo correndo, temos sempre o apoio da nossa equipa. Aqui aprendi a respeitar o próximo, a ouvir a opinião de todos e a trabalhar em equipa.

A fase mais difícil da minha caminhada enquanto escuteira passou-se nos caminheiros, em que existiram diversas mudanças na minha vida - a mudança de cidade e o início de um novo percurso escolar num sítio onde não conhecia ninguém - que levaram a que a minha personalidade se alterasse ligeiramente - amadurecesse, como o vinho do Porto - e, uma vez que a secção nova não me estava a entusiasmar, estive presa apenas por um fio a este movimento. Mas fui-me mantendo, pelas amizades que tinha construído e pelo bichinho que ainda vivia dentro de mim e que adorava toda a mística escutista e isto leva-nos a uma das maiores lições que o escutismo me deu - nem sempre as coisas são boas, mas existe sempre algo melhor em frente. Não desisti, continuei no movimento e hoje, 2 anos depois desses meses estou extremamente motivada com esta secção e com tudo que ela me tem para oferecer. A nossa vida é um ciclo constante e nem tudo nos entusiasma sempre. Temos que aprender a gerir as nossas emoções e a pensar racionalmente - se algo nos fez tão feliz como este movimento me fez a mim, continuará certamente a fazê-lo, apesar da fase complicada que pode estar a passar.


A característica que mais valorizo em mim mesma e que foi fomentada ao longo de 15 anos enquanto escuteira por este bonito movimento é de que devemos estar sempre prontos para auxiliar o mais próximo. Tal como o nosso fundador, Baden Powell, sempre nos ensinou, temos que deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos. E é com isto em mente que procuro sempre dar mais do que aquilo que tenho, sem pedir nada mais do que um sorriso em troca. A sensação de bem estar que temos de cada vez que ajudamos outra pessoa, de dever cumprido, é impagável.

Por fim, mas aquilo que é mais importante no meio de todos os ensinamentos e vivências que retiro desta enorme família - as boas amizades sobrevivem a grandes distâncias. Fiz grandes amizades neste movimento, amizades que levo certamente para a vida. Porque, apesar de não estarmos juntos todos os dias ou até todos os meses, quando nos vemos é como se não tivesse existido tempo nenhum entre os encontros. A conversa retoma, as gargalhadas surgem e o à-vontade mantém-se. E isto é do mais bonito e mais puro que podia haver.

A minha vivência está longe de acabar e ainda tenho muito a aprender com o movimento que inspirou esta publicação mas a verdade é que o escutismo ajudou a moldar aquilo que eu sou hoje em dia. Tornou-me mais solidária, mais altruísta, mais desinibida - dentro dos possíveis, claro -, mais descontraída e despreocupada com tudo - viva o cheiro a cavalo depois de um dia de caminhada, o pó na cara e o arroz com caruma - e fez com que eu valorize tudo aquilo que tenho - um bom banho depois de uma atividade, uma tenda que não se desmonta sozinha, uma noite bem dormida num terreno duro e a oportunidade de vivenciar tudo isto. Afinal é verdade aquilo que se diz: uma vez escuteira, para sempre escuteira.

Vocês são escuteiros?

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

TORNA O TEU QUARTO DA FACULDADE MAIS TU

Setembro. Um novo ano escolar a começar e uma nova vida a desenrolar-se. Não sei quanto a vocês, mas toda a minha mudança para a faculdade foi complicada de gerir porque passei de ter tudo feito para mim a ter que fazer tudo dentro da minha nova casa - nomeadamente comida a fazer, roupa a lavar e casa para limpar. Essa mudança sente-se mais acentuadamente na divisão que nos é mais característica - o nosso quarto.

Todos podemos concordar que o nosso quarto é o nosso espaço numa casa universitária, em que partilhamos casa com algumas colegas e, portanto, convém que nos identifiquemos com ele. Mas, infelizmente, não podemos fazer grandes mudanças no mesmo uma vez que é um quarto volátil e nada nos garante que ficaremos com ele durante muito tempo. Apesar disto, existem diversas formas de personalizarmos o nosso quarto sem gastarmos imenso dinheiro e que o tornam mais nossos.

Hang stuff in your wall!
Quando éramos mais pequenos gostávamos de desenhar em todas as paredes para que elas deixassem de ser uma tela branca e passassem a ser um espaço criativo e único da vossa casa. Hoje em dia, queremos a mesma coisa. Não, não vos encorajo a pintarem as vossas paredes - acho que o senhorio não iria gostar - mas encorajo-vos a pendurarem nas vossas paredes tudo aquilo que vos deixa feliz. Seja bilhetes de concertos, frases que vos inspiram, desenhos que gostem ou fotografias das vossas pessoas favoritas neste mundo, as hipóteses são infinitas para uma parede que não o é.


Change the sheets!
Amarelos, rosas, com flores ou com padrões excêntricos, aqui vale tudo. Por mim falo! A capa do meu edredão tem um estampado gigante de abelhas com flores, extremamente colorido e, verdade seja dita, muito eu e é sem dúvida aquilo que mais se destaca na decoração do meu quarto pelo padrão vivo. Podem, tal como eu fiz, investir numa capa de edredão diferente do comum e mudarem um pouco o vosso quarto de acordo com a mesma. É das coisas mais simples, mais económicas e que funciona melhor.

Lights, Camera & Focus
Desde que esta moda das luzes de Natal penduradas por todos os cantos da nossa casa chegou que eu não me consigo desfazer dela. Dá um ar tão mimoso, acolhedor e confortável ao nosso quarto apenas com o clicar de um botão. Juntamente com o nosso álbum favorito e um pijama quentinho, cria-se um ambiente relaxado que deixa qualquer pessoa pronta para o dia que está para começar - caso seja de manhã - ou para o seguinte - caso seja de noite. Podem encontrar opções destas luzes muito em conta na Primark, com inúmeras formas e feitios.


Pillowtalk & Chill
Malta, as almofadas e as mantas são as vossas melhores amigas. À semelhança do edredão, dão um toque muito bonito e único ao nosso quarto porque, para além de o decorarem, têm inúmeras utilidades: o amigo vem dormir lá a casa e não têm um edredão extra? Dão-lhe uma mantinha; estão desconfortáveis na vossa cadeira da secretária? Vão roubar uma almofada à vossa cama e tornem o espaço perfeito para estudar. Há lá coisa melhor que acessórios decorativos que são bonitos e úteis?

Fill your shelf with memories!
Isto é algo muito simples mas que fica muito mas muito giro. As prateleiras podem ser recheadas com aquilo que nós quisermos e, se a maior parte delas fica cheia de livros ou dossiers - ai, o que a vida de estudante nos faz! - existe sempre uma ou duas que ficam livres para aquilo que vocês pretenderem. Aproveitem essas prateleiras para decorarem da forma que queiram. Misturem jarros, flores, velas, a lente da vossa máquina ou mesmo acessórios de escritório nas mesmas de forma a criar um ambiente descontraído mas que reflita os vossos gostos.


Expose the bling
Esta dica final é mais virada para as meninas que utilizam alguns acessórios - sejam eles óculos de sol, brincos ou chapéus. Já fiz uma publicação dedicada exclusivamente a como podem dispor os vossos acessórios nos vossos quartos - podem ver a publicação AQUI - mas não me canso de repetir que é sempre uma maneira óptima de tornarem o vosso quarto mais vosso, para além de se tornar muito mais prático quando quiserem utilizá-los.

O que é que vocês fizeram para tornarem o vosso quarto mais vosso?

sábado, 20 de janeiro de 2018

MUSIC ♪ AFTER LAUGHTER

A banda mais tocada no meu Spotify durante o ano de 2017 foram os Paramore, uma banda conhecida por introduzir a geração dos anos 90 a um estilo mais rock e alternativo. Não sei se se identificam com aquilo que disse mas, para mim, esta banda foi uma das que marcou a minha transição entre a música pop, com os batidos Chris Brown, Beyoncé e o pouco provável kizomba - sim, estes eram os estilos musicais que podiam encontrar no meu MP3 quando tinha 10 anos - para um estilo de música mais alternativo e que se assemelha muito com aquilo que eu ouço hoje em dia.

A sua mexida Misery Bussiness ou as suas baladas The Only Exception e Decode - conhecida pela série de filmes Twilight, que nunca gostei - são canções que toda a gente reconhece imediatamente e consegue cantarolar e que tornaram os Paramore a banda global que, hoje em dia, é reconhecida em todos os cantos do mundo como uma banda de rock alternativo.


Quando lançaram o primeiro single do seu novo álbum, Hard Times, estranhei bastante. Estranhei a nova sonoridade desta faixa, uma mistura do clássico rock que eles sempre nos apresentaram nos seus álbums com um techno-pop que era, simultaneamente, uma lufada de ar fresco e um throwback aos anos 70 em que este estilo de música era mais incidente. Mas, tal como Pessoa sempre disse sabiamente, primeiro estranha-se e depois entranha-se

Portanto, e quando saiu o álbum inteiro, soube que tinha que o ouvir de imediato. E acho que o facto de terem sido os meus artistas mais ouvidos no Spotify explicita muito bem a minha reação às 12 faixas que compõem este quinto álbum dos Paramore. After Laughter, o novo álbum, pode ser descrito como boa onda na sonoridade, forte nas letras. Contrariamente daquilo que esta banda nos tem habituado, este álbum é uma fusão de estilos distintos tal como o single nos fez prever. Um álbum que pode ser resumido a uma espécie de pop-rock dos anos 80, tal como foi classicado pelos críticos. Utilizam imenso o sintetizador e as batidas bastante marcadas, características deste género musical.

Com letras excelentes e carregadas de sentimento, como sempre nos habituaram e uma nova imagem que condiz na perfeição com o estilo novo que nos apresentam. As minhas favoritas? Fake Happy, uma canção que nos lembra um bocadinho as músicas mais antigas da banda e que tem uma letra muito poderosa, Caught in the Middle, com uma linha instrumental bastante forte e, por fim, 26, a canção mais calma e emocional do álbum. Atenção, estas escolhas não foram muito fáceis e isto não significa, de todo, que não goste das outras - porque tenho ouvido TODAS em replay.




As músicas que vos deixem acima são os singles deste álbum e os respectivos videoclips - que estão esteticamente apelativos, cativantes e com uma onda muito boa. Na minha opinião este álbum marca a mudança da banda, o crescimento musical da mesma e parece-me que este é o caminho - muito feliz, se o puder dizer - para o qual a banda caminha em próximos projectos.

Gostam de Paramore? Conhecem este álbum?
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