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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Séries // Shameless

Já vos falei diversas vezes da dificuldade que tenho em riscar séries da minha lista de séries a ver porque, de cada vez que procuro algo novo e com qualidade, acabo sempre por me deixar levar pelas séries mais leves, mais simples ou que sejam recentes. O constante surgimento de novas séries faz com que bons clássicos fiquem para trás e acabem por cair no esquecimento, mesmo que não seja intencionalmente. No entanto, desta vez não me deixei sucumbir pela vontade de ver algo irrelevante e decidi riscar Shameless da minha watchlist - e bendito o dia em que o fiz.

Esta série conta a história da disfuncional família Gallagher, composta por Frank, o pai alcoólatra, lunático e sempre metido nalgum tipo de problema e os seus 6 filhos - Fiona, Lip, Ian, Debbie, Carl e Liam - e de como estes sobrevivem ao seu dia-a-dia sem qualquer supervisão parental, com a falta de dinheiro ao longo do mês para pagar as contas da casa e com todo o drama inerente ao facto de viverem no South Side - a pior zona de Chicago.


As personagens desta série são das mais ricas que já vi, por terem mil camadas, mil facetas e uma bagagem emocional incontestável. A vida dos Gallagher nunca foi fácil, e nunca o será, apesar das personagens batalharem nesse sentido e muitas vezes ao longo da trama sermos enganados a acreditar que sim. Esta é uma série que pega em todo o tipo de tragédia e a trabalha de uma forma humorística - atenção que não é um humor saudável mas sim daqueles que nos corrói o coração ao longo do tempo. Trata a realidade da classe trabalhadora baixa, uma realidade de pobreza, de abandono parental e de negligência e temáticas importantes como a homossexualidade, a gravidez na adolescência, o mundo das drogas, o alcoolismo, a mudança de género ou a adopção com uma leveza e uma simplicidade que nunca antes tinha visto. Sim, as situações são exageradas. Sim, é tudo levado a um extremo. Mas mostra uma realidade pela qual muita gente passa e que, por vezes, nem temos noção.

Se tivesse que escolher uma personagem favorita, escolheria o Frank. Partilhando o holofote como personagem principal com os demais, é o progenitor desta família, um alcoólico, vigarista nato e inteligente como ninguém. É daquelas personagens tão odiáveis que acabamos por gostar, porque começamos a imaginar o que terá tornado aquela pessoa tão má assim. A sua capacidade de se meter nos mais loucos esquemas, a sua perspicácia para angariar dinheiro e o seu desejo por aventura constante conquistam qualquer um, seja pela positiva ou pela negativa. Para além dele, a docura camuflada do Carl e o romance inesperado e bruto entre o Ian e o Mickey derrete o meu coração de cada vez que aparecem no ecrã. São realmente personagens bem conseguidas, com uma narrativa inteligente e muito trabalhada, que nos fazem viver a sua história, sentir as suas frustrações e gritar com o ecrã quando fazem algo errado - o que, acreditem, acontece demasiadas vezes. O guião está escrito de uma forma excelente, fazendo a classificação da série saltitar entre o drama e a comédia de uma forma subtil. Além disso, e uma vez que a série tem um total de 9 temporadas, podemos ver as personagens crescerdesenvolverem as suas personalidades e serem protagonistas das suas próprias intrigas. Isto torna a série muito mais dinâmica e cativante, porque existe sempre algo de novo a acontecer, sempre surpreendente e ainda mais dramático que no episódio anterior - como uma boa série assim exige. 

É impossível não mencionar a qualidade do elenco desta série. A personagem de destaque, Frank,  é interpretada de uma forma absolutamente soberba pelo William H. Macy - se não acreditam, saibam que ganhou 4 prémios e inúmeras nomeações pelo papel - e que demonstra uma qualidade ímpar como actor que se destaca dos demais. A intensidade com que a personagem é guiada através da expressão de homem trabalhador do actor é de louvar e mostra uma escolha inteligente de elenco por parte da produção. Para além dele, posso ainda parabenizar a actriz que interpreta a personagem de Fiona, Emmy Rossum que, apesar de, para mim, não se encontrar ao mesmo nível, não deixa de tornar a série naquilo que ela é e demonstrar grande capacidade performativa ao longo dos mais de 10 anos de gravações. Esta não é uma produção que exija grande figurino ou efeitos especiais, mas os cenários utilizados são muito adequados à realidade da narrativa e as escolhas sonoras inteligentes e adequadas a cada vivência da trama. Uma série que eu sabia que não me iria desiludir e que passou imediatamente para a minha lista de séries a recomendar para qualquer pessoa. Uma comédia pesada, real e bastante diferente daquilo que se encontra no grande ecrã!

"I trust you. That's bigger to me than I love you"

Já viram Shameless? Gostam desta série?

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

10 Sítios a não perder em Budapeste

A minha primeira grande viagem para fora de Itália desde que estou por aqui foi planeada em cima do joelho e comprada por impulso. A verdade é que já tinha imensa curiosidade em visitar Budapeste, a capital da Hungria, há imensos anos e quando surgiu a oportunidade para tal não consegui dizer que não – e não podia estar mais contente com a minha escolha. 

Esta cidade encantada divide-se em dois lados muito distintos entre si. Buda, o lado montanhoso, romântico e histórico da cidade – e, diga-se de passagem, o meu favorito –, e Peste, o lado citadino, plano e mais vivo da cidade. É fascinante observar duas realidades tão contrastantes mas que se complementam na perfeição. O melhor de tudo é ser tão simples apaixonarmo-nos por ambos os lados por serem tão únicos, tornando Budapeste a cidade mais dinâmica que já visitei por esta magia que se sente no ar. Nesta publicação, trago-vos então os meus 10 sítios favoritos em Budapeste – ou 10 coisas que têm que fazer em Budapeste, sem qualquer ordem específica –, que devem fazer parte da lista de todos aqueles que visitam esta cidade pela primeira vez. 

FISHERMAN’S BASTION
Com uma vista incrível sobre a cidade de Peste, por entre as suas janelas, o Fisherman’s Bastion - nome que se deve aos pescadores que outrora aí defenderam a cidade - é conhecido pelos instagrammers como o sítio a tirar fotografias pela sua vista panorâmica sobre o lado de Peste. No entanto, é muito mais do que um monumento bonito. Aliás, ultrapassa isso e todas as expectativas que possam criar sobre o mesmo. Uma estrutura em tons de bege, muito suave e muito agradável ao olhar pela ilusão de espiral que cria ao nosso olhar, composto por inúmeras janelas onde podemos sentar-nos e apreciar a vista. 


BUDA CASTLE
Com umas dimensões extraordinárias, este castelo surpreende não pela sua estrutura - que, apesar de bonita, não impressiona quando comparada com outros monumentos da cidade - mas pelo facto de aí se encontrarem exposições temporárias sobre os mais variados temas. Além disso, a área circundante ao castelo é muito bonita para dar um bom passeio e apreciar o verdadeiro romantismo que se faz sentir por todo o lado em Buda.

UMA CERVEJA NO SZIMPLA 
Qualquer pessoa que vá a Budapeste sabe que uma das paragens obrigatórias nesta visita são os Ruin Bars. Tal como o nome indica, estes são espaços de convívio e lazer que aproveitam os edifícios destruídos na 2º Guerra Mundial para a construção de bares muito fora da caixa. O único que visitei foi o mais conhecido, o Szimpla, um edifício composto por muitos bares diferentes de tudo aquilo que já vi. Tendo cada um a sua decoração, muito própria e muito pouco convencional, é um excelente sítio para relaxar depois de uma boa tarde de passeio ou até para ir tomar um copo durante a noite. Aproveitei para repor energias aqui, com uma caneca de cidra numa mão e a máquina na outra, a absorver todos os detalhes daquele que é o espaço mais cool que já vi na minha vida – e duvido seriamente que seja superado. 


 ESPETÁCULO DE LUZES NA MARGARET ISLAND
A visita à Margaret Island deu-se no meu último dia em Budapeste e não podia ter culminado esta viagem de melhor forma. Esta ilha é basicamente um parque, com imensas atrações distintas – um jardim japonês, um campo de flores, alguns cafés ou bares para relaxar -, sendo a principal uma fonte luminosa que está, continuamente, a proporcionar a por quem lá passa belíssimos espetáculos de água. Se durante o dia já é um bom espetáculo para assistir, de noite é que a magia acontece. Em horários específicos do dia, acontecem espetáculos de luzes que combinam música, luz e efeitos aquáticos de uma maneira incrível e que nos deixam maravilhados. O melhor de tudo é que este espetáculo é totalmente grátis e existem inúmeras repetições do mesmo ao longo do dia. 


PARLAMENTO
O parlamento é a figura que ilustra todos os postais de Budapeste. Imponente, com longos metros de comprimento, este edifício é, de longe, dos mais bonitos que já vi. Construído com um detalhe ímpar, como o estilo gótico assim o exige, deixa-nos boquiabertos ao caminharmos em torno do mesmo e ficamos perplexos por aquele não ser um edifício de outro cariz – mais religioso ou cultural. Afinal de contas, até dá gosto falar de política com aquele edifício como pano de fundo. Um local que é imperdível para qualquer pessoa que visite a cidade e que é impossível não adorar, seja pela sua escultura detalhada, pelos seus tons esbranquiçados ou por estar a ornamentar o lado de Peste da melhor forma possível.


EXPERIMENTAR GOULASH
Se havia alguma coisa que queria experimentar na minha viagem a Budapeste, era goulash. Para quem não sabe, esta é uma sopa típica destes países constituída por alimentos muito consistentes como carne, batata e cenoura. Uma espécie de estufado bem temperado, com muito molho e um pouco picante, se me perguntarem. Comi o meu no restaurante Kék Rózsa e não poderia ter escolhido um sítio melhor. Por pouco mais de 2 euros, experimentei este prato típico na sua melhor forma e adorei. Recomendo sem dúvida que experimentem porque é um prato bastante saciante e que vos deixará com energia para continuar a vossa jornada. 

MATTHIA’S CHURCH
Se acham que uma igreja é só mais uma igreja, devem de espreitar a igreja de Matthia. Apesar de não ter visitado o seu interior, é possível observar, através do seu telhado adornado com telhas de diferentes cores a criar uma espécie de padrão tribal ou todos os recortes na própria estrutura, muito semelhantes ao que podemos ver no Parlamento, que esta é uma igreja diferente das demais e que vale certamente a visita de todos. Além disso, está mesmo ao lado do Fisherman’s Bastion, o que faz com que este seja um dois em um perfeito para todos os turistas. 


SUBIR À CITADEL PARA UMA VISTA SOBRE PESTE
A subida pela Gellert Hill em direção à Citadel foi das primeiras coisas que fiz na cidade, para uma vista panorâmica do sítio onde iria passar os próximos 3 dias. A subida é íngreme, complicada para quem não está muito habituado a exercitar-se mas vale muito a pena. Ao longo da subida conseguem ter uma vista sobre o lado de Peste da cidade de cortar a respiração, o que vos encoraja para os metros que ainda faltam. Chegando ao topo, encontram-se numa praça consideravelmente grande onde existem algumas barracas com souvenirs e comidas tipicamente húngaras como os famosos chimney cakes – um bolo em forma de tubo coberto de açúcar que, se me permitem a descrição, sabe a diabetes. 


VAJDAHUNYAD CASTLE
Bem longe do centro da cidade encontramos a Heroes Square, uma praça dedicada aos heróis da antiguidade. Mas, se continuarem a caminhar em direção ao parque da cidade, podem encontrar aquela que foi uma das maiores surpresas da minha viagem. Inserido no parque da cidade encontra-se o Castelo Vajdahunyad, rodeado por um lago e pelo verde da natureza. Todo feito em pedra e com detalhes trabalhados ao pormenor, é a casa de alguns artistas de rua que por lá trabalham e que animam o seu interior com música ou caricaturas feitas na hora. Também existem aqui algumas exposições sobre a história de Budapeste, com conteúdo interessante e formativo – caso não levem guia, é uma boa opção para saberem um pouco mais sobre a cidade. É impossível não nos apaixonarmos por este castelo e pelo parque circundante onde aconselho a passarem algum tempo a passear, a fotografar ou até a almoçar – que foi aquilo que eu fiz. 


SAPATOS NO DANUBE BANK
Os sapatos em metal ao longo da calçada, perto do Parlamento são das coisas mais emblemáticas da cidade e que não pode faltar no vosso guia. Esta homenagem a todas as vítimas judaicas que perderam a sua vida na 2ª Guerra Mundial - eles eram obrigados a descalçarem-se antes de serem executados sem qualquer piedade - aperta-nos o coração de uma forma que nunca antes tinha sentido. Não me esqueço de uma senhora que, assim que avistou os sapatos pela primeira vez, começou a chorar silenciosamente por todos aqueles que tinham perdido a vida sem qualquer motivo para tal. Sem dúvida que nos deixa a refletir sobre o quão mau o ser humano pode ser e sobre o que de pior aconteceu na história do nosso mundo. 


Para além de todos os sítios que enumerei e que foram aquilo que mais gostei de ver, aconselho a visita à Basílica de São Estevão, uma passagem pela segunda maior Sinagoga da Europa – a Dohány Street Synagogue –, os banhos termais na Széchenyi - muito conhecidos e com preços que não vão muito fora do habitual para este tipo de atividade – ou um passeio de barco pelo rio, uma vez que existem inúmeras opções a preços bastante apelativos também. Estas últimas duas atividades não tive oportunidade de fazer mas, no entanto, considero que valham a pena pelos relatos de outros turistas que por Budapeste passaram. Recomendo, também, como sempre, passearem pelas ruas e deixarem-se perder nelas. Não há melhor forma de conhecer uma cidade do que nas suas ruas e ruelas, nos caminhos sem saída e nos seus detalhes menos turísticos. Sublinho ainda que dois dias a três chegam para ver a cidade de fio a pavio e que, apesar de não ter sugerido muitos restaurantes – o meu tipo de viagem consiste em sandes a todas as refeições –, existem diversas comidas típicas que podem experimentar e os preços praticados por uma refeição completa em zonas turísticas rondam os 8 a 12 euros. 

Não posso deixar de agradecer à Daniela, do Another Lovely Blog!, por todas as dicas que me deu quanto à cidade e àquilo que deveria de fazer na mesma. Visitem o trabalho dela AQUI

Já visitaram Budapeste? Têm curiosidade em visitar?

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Os meus Canais de Youtube Portugueses Favoritos

Não é segredo nenhum que o youtube começa a ser a plataforma a que as pessoas mais aderem e na qual as pessoas se interessam mais. Seja pelo conteúdo ser de consumo mais rápido e não tão exigente como ler um texto num blog ou por ser mais visual, há um encanto no vídeo que desperta a atenção de toda a gente, sejam miúdos ou graúdos. E, apesar de continuar a ler blogs com a mesma avidez, comecei também a acompanhar alguns canais que sinto serem especiais por se desviarem um pouco daquilo que a maior parte dos canais portugueses fazem - e que acaba por ser conteúdo um pouco repetitivo e sem grande interesse em particular.


Seja pela sua irreverência, pelo conteúdo pensado ou pelas rubricas um tanto ou quanto diferentes, as 4 youtubers femininas que vos mostro hoje estão no cimo da minha lista de favoritos desde o primeiro vídeo que vi delas e dificilmente sairão daí.

MARIANA GOMES

O canal da Mariana Gomes é o meu favorito desde que me lembro. Sempre que me pedem sugestões, é a ela que recomendo. E porquê? Porque não existe nada igual no youtube português, que eu conheça e a meu ver. A serenidade da Mariana e a simplicidade do seu dia-a-dia saltam da tela do nosso computador a cada segundo dos seus vídeos, editados com uma preciosidade e uma atenção ao pormenor ímpar. A banda sonora de cada frame é das coisas que mais me faz gostar do seu canal -  muito dentro do meu estilo musical, com música relaxada e muito outonal, que vai de acordo com a sua pessoa. Além disso, o conteúdo que ela produz é muito genuíno e, tal como ela, dá-nos a sensação de que a vida deve ser levada com calma porque as coisas boas irão acontecer-nos.


A Bárbara é uma pessoa que é apaixonada por os assuntos que lhe interessam - seja o veganismo, a escrita ou os seus dois gatinho. Essa paixão é contagiosa e é este o principal motivo que me faz ver assistir aos seus vídeos. Com temáticas bastante actuais, ela senta-se em frente da câmara e fala connosco como se fossemos velhos amigos no café, sem tabus nem pudores. Expõe a sua opinião sem nunca a sobrepor à nossa, independentemente de poderem ser contrárias - acaba por nos explicar a bonita forma de como vê o mundo e convida-nos a partilharmos da mesma opinião. Aprecio especialmente a forma como grava os seus vídeos de receitas, que é absolutamente deliciosa - são como mini-filmes da sua vida e daquilo que ela cozinha.


Conheci o canal da Teresa através da Mariana, de quem vos falo acima, e, apesar de ser recente na minha lista de reprodução, não houve como não gostar do seu trabalho. Muito semelhante ao trabalho da Mariana - não fossem elas amigas -, a cada vlog somos projetados para o seu mundo e para tudo aquilo que pinta os seus dias com tons mais coloridos. Um canal principalmente composto por pequenos clipes diários, simples mas compostos de uma forma harmoniosa, o que demonstra uma grande capacidade de edição e um olho para a estética - que não surpreende ninguém quando descobrimos que está envolvida na área de artes.

INÊS ROCHINHA

A Inês Rochinha, do antigo mymakeupsecret, já não é nova no jogo e a minha admiração por ela também não. Da lista, é a mais diferente no sentido do seu conteúdo ir mais de encontro com o comercial. No entanto, aquilo que gosto no canal da Inês é o facto de, apesar de ter um canal com conteúdo mais comercial - beleza e moda, temas que adoro mas que se podem tornar um pouco superficiais -, não deixa de dar o seu cunho pessoal a todos os vídeos e de surpreender com vídeos diferentes, muito fora da caixa e muito pessoais. Uma edição impecável, com grande qualidade e uma personalidade amorosa, calma e bastante amigável fazem com que o seu canal esteja no topo dos canais com maior número de subscritores na sua categoria em Portugal - e bem merecido!

Conheciam alguma delas? Quais são os vossos canais de youtube favoritos?
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